domingo, 22 de julho de 2012

Santiago sem Água por Nocaute Técnico


A Vida é o bem mais precioso e a água é o bem mais precioso da vida. Biologicamente falando, sem água nega-se a vida. Como nordestino, filho de pais nordestinos, no sertão, comumente sem água ou com pouca, aprendemos a dizer não, ver a morte sem chorar. Na situação em que se encontra a barragem por estes lados do boqueirão, em qualquer região da seca, seu fornecimento já teria sido suspendido. E seria a imagem, a entrada comumente de carros-pipas, flagelados com suas latas e reservatórios à mão, a fila para pegar água. Isso depois do racionamento que antecederia em 1 (um) ano a previsão de término do fornecimento de água. Mas na Terra dos Poetas ditosos, ainda há a ilusão de que existe, água, que pode chover, que pode... Tecnicamente, santiaguenses, a água acabou. Vamos reconhecer, repetindo, a água acabou. 

Há um mês estive lá duas vezes de bicicleta, sozinho, vi que estava ruim. Há quinze dias estive lá com meus filhos, duas ou três famílias visitavam e estava pior. Hoje fui com toda a família, fiquei chocado, mal consegui estacionar o veículo, havia uma multidão de romeiros gaúchos para constatar um milagre ao contrário, de como a sua água acabou, a água acabou. Depois de dois ou três acenos, não mais prossegui visitar, dei volta, a água acabou, a água acabou, a água acabou... fiquei com este mantra. Acabou por nocaute técnico, basta fazer a relação de consumo da população e de vazão do reservatório. E, o principal, aquilo não é água, é lama, não serve mais para consumo. Paradoxalmente, serve somente para lavar carros e calçadas. A barragem foi ao barro.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O futuro mundo de nossas crianças




O mundo está mudando. Na cultura global, o futuro de nossas crianças, com certo grau de certeza, poderá ser completamente diferente do que imaginamos hoje. Basta que analisemos as mudanças demográficas que já vivemos no mundo hoje.

Para que uma determinada cultura seja mantida por mais de 25 (vinte e cinco) anos, requere-se que a taxa de natalidade seja mais de 2.11 crianças por família (c.f.) . Menor do que isso, a cultura já estará em sua posição descendente. Historicamente, nenhuma cultura sobreviveu a uma taxa de 1.9 c.f. e é impossível de reverter uma taxa de 1.3 c.f. Seriam necessários de 80 a 100 anos para corrigir este problema, todavia não há modelo econômico que sustente a cultura por esse tempo.

Em outras palavras, se dois casais procriam apenas filhos únicos, tem-se 1/5 (a metade) de filhos que havia de pais. E se estes filhos tiverem apenas um filho, haverá 1/4 (um quarto) de pessoas. Os netos serão 25% da quantidade de avós. Se nascessem apenas 1 milhão de pessoas em 2012, seria muito difícil ter dois milhões de adultos na força de trabalho em 2032.

Enquanto a população encolhe, a mesma coisa acontece com a cultura. Observe as taxas de natalidade dos seguintes países: França, 1,8; Inglaterra, 1,6; Alemanha, 1,3; Grécia, 1,3; Itália, 1,2; Espanha, 1,1. Coincidentemente, os países em crise na Europa hoje.

Em todos os 31 países da União Europeia, a taxa de natalidade é de 1,38. Pesquisas demonstram que já é impossível reverter este quadro. Em alguns anos, a Europa como conhecemos hoje, deixará de existir. Apesar disso, a população da Europa não está declinando. E por quê? Devido a imigração, especificamente, a imigração islâmica. De todo aumento populacional da Europa, 90% deve-se à imigração islâmica.

Na França, a taxa de natalidade das famílias naturais são de 1,8, mas nas famílias islâmicas é de 8,1. No sul da França, já há maior número de mesquitas do que igrejas. 30% dos que tem menos de 20 anos, são islâmicos. Em cidades maiores como Nice, Marselha e Paris, este número sobe para 45%. Em 2027, 1 em cada 5 franceses será muçulmano. Em apenas 30 (trinta) anos, a França será uma República Islâmica.

Nos últimos 30 anos, a população da Inglaterra mudou de 82 mil para 2,5 milhões. Cresceu 30 vezes mais! Nos locais nos quais haviam milhares de igrejas, agora há milhares de mesquitas. Na Holanda, 50% dos recém-nascidos são muçulmanos. Em 15 anos, 1/5 (metade) da população será muçulmana. Na Rússia há mais de 23 milhões de muçulmanos, 1 em cada 5 habitantes. 40% do exército Russo será muçulmano em poucos anos. E na Bélgica, 25% da população e 50% dos nascimentos já são muçulmanos. 1/3 dos recém-nascidos na Europa será muçulmana em 2025. Daqui a apanas 12 anos.

O governo alemão já declarou que “a queda da população alemã não pode mais ser detida. Sua espiral descendente não é mais reversível. Este será um estado muçulmano em 2050.”

Dizia Muamar Al-Kaddaf: “Há sinais de que Alá garantirá a vitória ao Islã na Europa sem espadas, sem armas, sem conquistas. Não precisamos de terroristas ou bombas homicidas.”

Há 52 milhões de muçulmanos na Europa. Este número irá dobrar para 104 milhões nos próximos 20 anos.

Nas América do Norte, o processo é semelhante. No Canadá, a taxa de natalidade é de 1,6. Bem abaixo dos 2,11 para manter a cultura; e o Islã é a religião que mais cresce. Entre 2001-2006, a população do Canadá aumentou em 1,6 milhão. Desses 1,2 é oriunda da imigração.

Nos Estados Unidos, a taxa de fertilidade é de 1,6. Com o influxo de latinos subiu para 2.11, o mínimo necessário para se manter uma cultura por mais de 25 anos. Em 1970, havia apenas 100 mil muçulmanos, mas hoje há 9 milhões.

Conferências anuais islâmicas descrevem em detalhes planos para “evangelizar” a América através do jornalismo, da política e da educação. “Precisamos nos preparar para realidade de que, em 30 anos, haverá 50 milhões de muçulmanos nos Estados Unidos.”

A Igreja Católica já reconheceu que o islamismo ultrapassara seu número de membros.

O Islã já é a religião dominante no mundo.

O mundo em que vivemos, não será o mundo em que nossas crianças viverão.

Despertai!

Fonte: Vídeo “Mundo Muçulmano” editado pela 1ª Igreja Batista de São José dos Campos, SP, 2006.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

G. K. Chesterton



Nascido em Londres, no ano de 1874, Chesterton era daqueles sujeitos que não conseguem passar despercebido aonde quer que estejam. A irreverência, o bom-humor e a eloqüência, associados a dois metros e nove centímetros de altura e a um peso médio de 140 quilos, transformavam qualquer ambiente; quer uma festa de aniversário infantil ou um acalorado debate com Bertrand Russel. 

Chesterton era uma "máquina" intelectual. Escreveu mais de 4.000 artigos para jornais. Não bastasse a infinidade de artigos, escreveu mais de 100 livros e aproximadamente 200 contos, quase todos ditados para sua secretária. Destacam-se ainda as biografias sobre Tomás de Aquino e Francisco de Assis, além do livro O homem que foi quinta-feira (The Man Who Was Thursday) e a série de livros ficcionais que contam as peripécias protagonizadas pelo personagem Padre Brown.

Sua obra literária é tão versátil quanto marcante. Além de Ortodoxia, em que expõe os pilares da fé cristã, Chesterton escreveu Everlasting Man [O homem eterno], obra responsável por levar um jovem ateu, C. S. Lewis, ao cristianismo. Também é atribuída a Chesterton, decisiva influência na vida de líderes de movimentos de libertação como Michael Collins (Irlanda), Mahatma Gandhi (Índia) e Martin Luther King (Estados Unidos).

Chesterton era extremamente consciente de sua fé. Mesmo quando tachado de retrógrado, não se intimidava em defender o ideário cristão e opunha-se, sem pedir licença, ao encantamento que o socialismo, o relativismo, o materialismo e o ceticismo despertavam na intelligentsia européia da primeira metade do século XX.

Gilbert Keith Chesterton faleceu em 14 de junho de 1936, em sua residência, na cidade de Beaconsfield (Reino Unido), ao lado de sua esposa Frances Blogg, deixando marcas inesquecíveis em mestres da literatura como Ernest Hemingway, Graham Greene, Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Marshall McLuhan, Dorothy L. Sayers, Agatha Christie, Orson Welles e T. S. Eliot, que certa feita afirmou: "Chesterton merece o direito perpétuo a nossa lealdade".

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Quase acidente

Segunda-feira, voltava pela rua dos poetas ao QG logo após verificar preparativos para a Páscoa dos Militares em Santiago, RS. No cruzamento da Getúlio Vargas com a Deodoro, um gringo pelo duro dirigindo um Celta prata avança a faixa de pedestres e quase atropela um índio que instantaneamente propala imprecações e palavrões. O gringo pára e retruca de fazer chover saliva. O pedestre quase vítima, quase acidente, aproveitando-se da oportunidade, do motorista sentado, trancado e sob o cinto de segurança, desfere dois ou três golpes em forma de soco; nova discussão. Fardado, meto-me no meio quase que instintivamente, peço para pararem a briga:: “está bom, vamos embora." O gringo acelera e sai com essa: “negro de merda.” O índio grita: "repita!" E o gringo: “negro de merda.” E enfim, o índio diz: “eu vou te pegar.” Só pensei no momento, não racionei pegar a placa do automóvel, também fiquei nervoso e a adrenalina a mil naquele momento. Três erros cometidos em questão de segundos: uma transgressão de trânsito por falta de atenção, agressão física e preconceito racial. Todos errados.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A aula depois da guerra

FONTE: REVISTA EDUCAÇÃO

No ano em que completa duas décadas de paz, Moçambique se vê em meio a outra batalha: a reconstrução de seu sistema educacional



Estevan Muniz (texto e imagens)
Estevan Muniz
A Escola Comunitária de Magude, na periferia de Maputo, está localizada no bairro Luiz Cabral (conhecido como Drenagem, por estar próximo ao dreno do rio Matola). A região é imprópria para moradia. Ali, não há saneamento básico. O sistema de saúde e a rede de energia também são precários

Moçambique completa duas décadas de paz neste ano. Após dez anos de Guerra de Independência contra Portugal e mais 16 de guerra civil, o país africano, um dos 20 mais pobres do mundo, com o quarto pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), encontra-se em fase de reconstrução. Durante os últimos anos, seu sistema educacional passou por uma grande expansão: hoje, mais de 90% das crianças estão matriculadas no ensino primário (equivalente ao ensino fundamental brasileiro), segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e cerca de 12 milhões de crianças estudam em salas apropriadas. Apesar das conquistas, a incapacidade de abrigar de forma eficaz o grande número de estudantes, a insuficiência de professores, a falta de formação de boa parte deles e a ausência de uma política de educação infantil indicam que o cenário ainda é desafiador.

sábado, 12 de maio de 2012

Gen Bini exorta para que os militares quebrem a Lei do Silêncio



LEI DO SILÊNCIO

Romulo Bini Pereira - O Estado de S.Paulo

Em 1979, após muitos debates em amplos segmentos de nossa sociedade, a Lei da Anistia foi aprovada e promulgada no País. Ela veio pôr um ponto final no ciclo de beligerância que se instalou na vida brasileira e criou um pacto de reciprocidade para a reconstrução democrática no Brasil.

Nestes anos de sua vigência, as Forças Armadas cumpriram um papel impecável. Voltaram-se para suas missões constitucionais, sem a mínima interferência no processo político que aqui se desenvolvia. Mantiveram-se em silêncio, acompanhando os fatos políticos, alguns bastante perturbadores, sem nenhuma atitude que pudesse ser analisada como intervenção no processo democrático.

Adotaram uma verdadeira lei do silêncio. Um ajuste entre seus chefes, em busca da concórdia e do entendimento.

No corrente ano, entretanto, dois fatos vieram de encontro à atitude das Forças Armadas. O primeiro foi a criação da Comissão da Verdade. De modo unânime, militares da ativa e da reserva consideraram tal comissão um passo efetivo para atos de revanchismo. Os seus defensores - alguns deles membros da alta esfera governamental e do Poder Judiciário - já falam em rever a Lei da Anistia, mesmo após o Supremo Tribunal Federal ter confirmado a sua validade.

No escopo de se obter a verdade, essa comissão, para ser imparcial, deveria estudar e analisar não só o ideário político-ideológico, mas também os métodos de atuação de quem optou pela luta armada em todo o mundo. Que pesquise os manuais das organizações internacionais para constatar a semelhança dos objetivos e métodos das inúmeras e variadas organizações nacionais, inclusive o Manual do Guerrilheiro Urbano, de Carlos Marighella, a cartilha do terrorismo brasileiro. Os diversos delitos cometidos - assassinatos, atentados, roubos e sequestros - também tiveram, tal como as citadas internacionais, um objetivo único, ou seja, a "derrubada do governo central e a instauração de uma ditadura do proletariado", e não uma democracia, como apregoam seus defensores. Com tal comissão só existirá uma verdade unilateral.

domingo, 22 de abril de 2012

Quixote - Vão-se os livros e ficam os textos


"— Tão rigorosa talvez que o seja — respondeu o nosso D. Quixote — porém tão necessária, duvido muito; porque, se se há-de dizer toda a verdade, não faz menos o soldado que executa o que lhe manda o capitão, do que o próprio capitão, que lho ordena. Venho a dizer que os religiosos, com toda a paz e sossego, pedem ao céu o bem da terra; e nós, os soldados e cavaleiros, executamos o que eles só requerem, porque a defendemos com o valor do nosso braço, e ao fio da nossa espada, não debaixo de teto, mas em campo descoberto, oferecidos em alvo aos insofridos raios do sol do verão, e aos arrepiados gelos do inverno. Deste modo, somos ministros de Deus na terra, e braço pelo qual se executa no mundo a sua justiça. E como as coisas da guerra, e as concernentes a elas, não se podem pôr em execução senão suando, cansando, e trabalhando excessivamente, segue-se que os que a professam têm sem dúvida maior trabalho que os outros, que em sossegada paz estão pedindo a Deus que favoreça aos que podem pouco. Não quero eu dizer (nem pelo pensamento me passa) que é tão bom estado o de cavaleiro andante, como o de religioso na sua clausura; só quero inferir que isto que eu padeço é sem comparação mais trabalhoso e aperreado, mais faminto e sedento, miserável, roto, e bichoso, pois é certíssimo que os cavaleiros andantes passados contavam muitas aventuras ruins no decurso de suas vidas, e, se alguns chegavam a ser Imperadores, pelo esforço do seu braço, à fé que bastante suor e sangue lhes custou; e se àqueles, que a tais graus subiram, houvessem faltado encantadores e sábios para os ajudarem, bem defraudados teriam ficado de suas esperanças."

(D. Quixote, Cervantes)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Introdução ao Salmo 119



O maior salmo acróstico da Bíblia e também seu maior capítulo é uma coleção de observações da Palavra de Deus e seus preceitos. Todos os versos tratam das escrituras pela exposição de sinônimos, hipônimos e hiperônimos. Um acróstico do alfabeto hebraico, cada conjunto de oito versos é contemplado com uma letra hebraica; vinte e oito conjuntos, portanto. A massorá denomina este salmo como o Grande Alfabeto. A composição acróstica tem por objetivo facilitar sua memória e cantilação. Todo conjunto é uma demonstração fervorosa do salmista pela Palavra de Deus.

O secular alfabeto hebraico é consonantal. Durante a idade média, os massoretas acrescentaram os sinais vocálicos a fim de que a fonética de língua não fosse perdida. Mesmo assim, até o penúltimo século, a pronúncia da língua restringia-se a uns pouquíssimos eruditos judeus, até ganhar força com o moimento sionista e a restauração do estado de Israel.

Dividindo o salmo em outros capítulos, temos a seguinte proposta:

CAPÍTULO 1 – Álefe, as bem-aventuranças da Palavra de Deus; vs. 1-8.
CAPÍTULO 2 – Beit, Guardo a tua Palavra; vs. 9-16.
CAPÍTULO 3 – Guímel, Abre meus olhos; vs. 17-24.
CAPÍTULO 4 – Dálet, Ajuda-me a compreender; vs. 25-32.
CAPÍTULO 5 – , Dá-me entendimento; vs. 33-40.
CAPÍTULO 6 – Waw, Anunciarei as tuas ordens; vs. 41-48.
CAPÍTULO 7 – Zayin, No sofrimento, eu fui consolado; vs. 49-56.
CAPÍTULO 8 – Hêt, De todo coração, eu te peço; vs. 57-64.
CAPÍTULO 9 – Têt, Eu andava errado; vs. 65-72.
CAPÍTULO 10 – Yôd, Peço que o teu amor me console; vs. 73-80.
CAPÍTULO 11 – Caf, Sou tão inútil; vs. 81-88.
CAPÍTULO 12 – Lâmed, A tua fidelidade permanece; vs. 89-96.
CAPÍTULO 13 – Mem, Eu te amo, Senhor; vs. 97-104.
CAPÍTULO 14 – Nûn, Na Tua Luz; vs. 105-112.
CAPÍTULO 15 – Samek, Dá-me Forças; vs. 113-120.
CAPÍTULO 16 – Ayin, Age, Senhor; vs. 121-128.
CAPÍTULO 17 – , Minhas lágrimas como um rio; vs. 129-136.
CAPÍTULO 18 – Tsade, Os sofrimentos e a ansiedade me atingem; vs. 137-144.
CAPÍTULO 19 – Qof, Responde-me, Senhor; vs. 145-152.
CAPÍTULO 20 – Resh, Defende a minha causa; vs. 153-160.
CAPÍTULO 21 – Sin/Shin, Eu te louvo; vs. 161-178.
CAPÍTULO 22 – Tav, Meu grito de socorro; vs. 169-176.

domingo, 8 de abril de 2012

A Páscoa me fez lembrar



 
Hoje é domingo de Páscoa, lembrei do Cristo, mas lembrei de quem o Cristo me fez lembrar. Por alguma razão, lembrei de Ivo Maia, amigo/irmão do qual perdi contatos. Ivo segregou-se, o que sempre soube ser/fazer. Conheci este ser humano ainda no fervor de minha conversão a Cristo. Ivo, permita-me repetir diversas vezes o nome, chegara em Ceará-Mirim oriundo de Catolé do Rocha com uma grande missão, implantar o casa de recuperação a dependentes de drogas; e assim o fez. Ivo fundou a Casa de Assistência Espiritual a Dependentes de Drogas – CAEDD em Ceará-Mirim. Obra pela qual Ivo dedicou e sacrificou boa parte de sua vida e família, até mesmo uma cadela vira-lata sabida que levava e trazia recados de casa quando ter uma linha telefônica era coisa de granfinos. Como sempre visitava a CAEDD e conversava com Ivo por horas a fio, eu sabia das dificuldades que passava, a vida de semi mendicância que levou tinha um ideal, Ivo havia sido liberto do cárcere das drogas por Jesus e a única coisa que desejava na vida era ver outros jovens também livres das drogas. Um dos passatempos do desencarcerado era, dentro das diversas terapias que realizava na casa, pintar e exercitar as artes plásticas. Vi Ivo pintar de plantas proféticas, ao tabernáculo e à Santa Ceia; razão também porque dele lembrei. Por ironia da vida, sem apoio material, que já era escasso, e também espiritual, Ivo Maia abandonou o ideal e saiu perambulando por aí, por motivos diversos. Mas eu sabia onde encontrá-lo, sempre que queria vê-lo, ia para frente do Banco do Brasil no centro da cidade em Natal, Ivo estava lá, expondo suas novas pinturas, a nova razão que encontrou para viver, expor a vida pela arte, matéria em que já era perito. Eu fui embora, sem muito ter visto depois o irmão Ivo. Sei onde encontrá-lo ainda hoje no Beco das Cores, beco que ele assim denominou e morada fez.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Vida cristã


Um dos grandes erros da vida cristã é achar que ela esta dissociada da vida normal. No dia a dia, não precisas acordar pela manhã e perguntar se é a vontade de Deus para escovar os dentes, não é mais santo pensar no Pão da Vida do que no pão dos seus filhos. Deus quer que a vida real seja exclusiva sendo inclusiva Nele, e não uma ficção ou utopia do não manuseies isto ou não toques naquilo. Pois, uma vez salvos, regenerados e resgatados, o propósito de Deus através de Jesus Cristo cumpre-se em nós, como em Adão, em governar a criação. Louvar é apenas pequena parte do trabalho que realizamos, porque tudo que fazemos é adoração. Bater com enxada na terra durante o dia, reconhecendo que é Ele que a faz produzir o pão, tem mais valia do que os lábios, por vezes mentirosos, que o louvam à noite. O Viver cristão é viver o melhor possível a vida que Deus nos deu como um retrato da Vida Eterna. É entender que Cristo nos satisfaz e nada mais é preciso.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Visão 3D - O Pedestre


O pedestre de Santiago, o cidadão santiaguense, é em tudo muito inocente. E, assim como, não há nada porque lhe possa culpar, mas senão abrir-lhe os olhos. Santiago esta crescendo. Antes disso, mas agora o asfalto, motoristas mais afoitos, carros velozes. É quem atravessa as ruas atendendo o celular, expõe-se na faixa de pedestres sem avisar, atravessa mesmo ao sinal verde, pede parada fora da faixa. Às vezes, imagino que o pedestre aqui imagina o carro como uma extensão do corpo do motorista, que pode a qualquer momento reduzir a velocidade e parar. Não pensa que, na realidade, o motorista nunca tem o controle total do automóvel. Além disso, outros santiaguenses já alcançaram voos maiores e estão em cidades maiores, que não perdoam inocências, onde o trânsito é uma fera cruel. Melhor aprender a vencer a fera agora. Três ações ajudariam a nós pedestres da Terra do Poetas: 1) Não atravessar ao sinal verde; 2) Não atender o celular ao atrevessar a via; 3) e fazer o sinal com a mão antes de passar a passagem de pedestres. Enquanto isso, vou-me disciplinado como motorista e também pedestre desta cidade.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Visão 2D - O Condutor


Seria uma irresponsabilidade atingir todos os motoristas pelo mal de uns poucos. Mas para alguns condutores de Santiago, RS, é bonito ser feio. O que quero dizer com isto? Que ainda preserva em alguns poucos que o bom motorista é aquele que anda a 80km/h em uma via que não suporta 60km/h, que arranca no sinal e durante a madrugada faz pegas motivado por um som alto afoito. A população parece já ter se acostumado. Pelo menos eu, depois de um ano, já consigo dormir morando quase vizinho de um sinal com muito movimento, inclusive às madrugadas, uma façanha adaptativa do ser humano. Mas o fato é que os bons motoristas terminam pagando o pato dos maus que, no mínimo, para contê-los, a administração pública se vê na responsabilidade de sancionar “o trânsito” colocando obstáculos, quando não terminam sendo-lhes vítimas. O grande mal é esta ética invertida, o que ocorre aqui, ocorre em outros municípios também. Mas serve de alerta a quantidade de acidentes que ocorrem na área. Não tenho as estatísticas, mas creio serem muitos para uma cidade de 49 mil habitantes. E pensar que boa parte dos acidentes que vejo nos noticiários gaúchos, não ocorrem por colisão (pechada, acho que assim se escreve), mas por saírem da pista, em alta velocidade. Irresponsabilidade que mata. Devemos entender que o bom motorista dirige em baixa velocidade, respeita a sinalização, respeita o pedestre e está pronto para assumir seus erros. Sim, o bom motorista também erra. Eu mesmo confesso que já entrei umas duas vezes na contramão em ruas de Santiago, RS, e não foi por querer, pura falta de atenção, mas, com certeza, se um guarda me parrasse, prontamente assumira o erro de ser bisonho naquele momento. Assumir a nossa falibilidade no trânsito é uma prerrogativa para torná-lo melhor. Há um engano comum de que o automóvel é uma extensão do corpo. É uma alavanca útil, mas não é o sujeito que o guia. Com tempo de direção, todos nós terminamos nos sujeitando a isto. Para reverter este quadro, uma boa política educacional para o trânsito e fiscalização, inclusive à madrugadas, para punir os irresponsáveis.

domingo, 11 de março de 2012

Visão 1D - A Administração Pública


Em Santiago, RS, há alguns equívocos que eu consideraria cruciais que fossem resolvidos, basicamente relacionados à sinalização. A faixa de pedestres “zebrada” não pode ser seguida de outra faixa zebrada na passagem de um cruzamento, a que deve seguir após o cruzamento é uma faixa por duas paralelas. O pedestre ao atravessar deve observar o veículo que parou na faixa zebrada. Caso contrário, esperá-lo passar antes de cruzar a rua. Assim, acaba o problema da obrigatoriedade do condutor parar no meio do cruzamento. Outra, como sinalização errada não se executa, se, infelizmente, algum dia, um pedestre for machucado em uma faixa zebrada mal colocada, o condutor poderá safar-se juridicamente culpando a má sinalização. 

Outro problema é a falta de lógica nas vias preferenciais. A Rua dos Poetas (Rua Venâncio Aires), por exemplo, é preferencial da Av. 7 de setembro até a Av. Tito Becon. A partir dali não é mais. Entende-se a importância arquitetônica que a rua tem para a cidade, mas o bom observador verá que o fluxo de veículos da Rua Getúlio Vargas e da Rua Benjamin Constant é maior do que aquelas em horários e dias de pico. Da Tito Beccon até a “Artilharia” (19º GAC), seguindo a Rua Venâncio Aires e adjacências, as ruas que se cruzam não têm qualquer relação lógica de preferenciais. Uma placa de PARE nos surpreende em uma quadra e em outra não. Entendendo a lógica do fluxo de veículos da cidade, na minha opinião, e creio estar certíssima, todas as ruas a oeste da Av. Pinheiro Machado deviam ser preferenciais. É logicamente inconcebível, por exemplo, que a Rua Mal. Deodoro não seja preferencial com a Rua Getúlio Vargas, mas que tenha preferência em relação à Rua Benjamin Constant. São pequenos detalhes que mudariam bastante a cara do trânsito aqui.

Tomando retorno à Rua dos Poetas, o ideal é que fosse transformada em um grande calçadão, deixando apenas as duas passagens da Benjamin Constant e da Getúlio Vargas. Não dá para relatar tudo, creio que já cansei o leitor com referências de ruas e questões espaciais difíceis de descrever. Mas, enfim, espero haver contribuído.

O Trânsito em Santiago: uma visão 3D



O trânsito é hoje um dos problemas sociais mais comentados no mundo. Em Santiago não chega a ser um grande problema da cidade, mas já incomoda. Se não solucioná-lo hoje, poderá tornar-se grande problema no futuro. Um grande equívoco é focá-lo como apenas um problema do condutor e esquecer o papel do poder público e do pedestre, o que nos propõe uma visão tridimensional, à princípio. É possível haver outras. Por hora, permaneçamos com a visão em 3D: a administração pública, condutor e pedestre como responsáveis pelo Trânsito.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Um visitante em Santiago



Antes de titular este “post”, pensei em diversas versões da opção acima: “Um extraterrestre em Santiago”, “Um visitante de outra galáxia em Santiago” ou “Um visitante intergaláctico em Santiago”. Finalmente decidi pelo que ali está, não um visitante comum, ou aquele que está de passagem, simplesmente. Mas como aquele visitante que vem de outro mundo e chega para quase ficar. A ideia não é minha, pertence a Eric J. Hobsbawm* quando diz: “Suponha-se que um dia, após uma guerra nuclear, um historiador intergaláctico pouse em um planeta então morto para inquirir sobre as causas da pequena e remota catástrofe registrada pelos sensores de sua galáxia.” E assim vindo de outra galáxia, resolvi narrar minha impressões sobre a cidade de Santiago, RS. Confesso que a vontade é antiga, tive receio de ser mal interpretado, mas acho que os quase dois anos vivendo como um cidadão da polis, pagando meus impostos aqui e vivendo sob o estatuto da cidade, isso me confere o direito de relatar e comentar algo sobre a vivência dessa urbe. Mostrar como quem olha um jogo de xadrez estando fora do jogo, que normalmente vê mais jogadas do que a dupla que ali está concentrada. Sou visitante, desejo contribuir, venho e escrevo em paz.


*Nações e Nacionalismo desde 1780.

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