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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Observações introdutórias sobre a Importância da Ortodoxia II


Em termos gerais, hoje, é loucura um filósofo provocar outro no mercado de Smithfield, simplesmente porque não concorda com sua teoria sobre o universo. O que foi feito com freqüência no passado no fim da Idade Média, mas que fracassou completamente com seu objeto. Mas há algo que é infinitamente mais absurdo e impraticável: queimar um ser humano por sua filosofia. Esta é a forma de declarar que sua filosofia não importa, o que é feito amplamente no século XX, a decadência do grande período revolucionário. Teorias gerais são desprezadas em toda parte, a doutrina dos Direitos do Homem é desprezada tanto quanto a doutrina da Queda do Homem. O ateísmo, nos dias de hoje, é cada vez mais teológico. Qualquer revolução retém muitíssimo de um sistema, assim como para haver liberdade necessita-se haver bastante comedimento. O Sr. Bernard Shaw expôs um epigrama perfeito: "A regra de ouro é que não existe uma regra de outro". Necessitamos discutir cada vez mais detalhes acerca da arte, da política e da literatura. A opinião de um homem acerca de bondes elétricos ou concernente a obra de Botticelli não importa. Ele pode revirar e explorar um milhão de objetos e não achar nenhum objeto estranho naquele universo. Porque, se achar, terá uma religião e se perder. Nada importa – exceto tudo. (CHESTERTON, tradução de Heretics)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Observações introdutórias sobre a Importância da Ortodoxia


Nada mais tão estranhamente denuncia o silêncio vil da sociedade moderna do que hodierno uso da palavra ortodoxo. Na antiguidade, ninguém se orgulhava em ser um herege. Eram os monarcas, a polícia e os magistrados que denunciavam os hereges, pois identificavam-se como ortodoxos. Não havia qualquer orgulho na rebeldia, eram as autoridades que apontavam os rebelados e declarava-os como hereges. Os exércitos com seus controles cruéis, os reis com suas caras-de-pau, os melindrosos processos do Estado, os protocolos racionais do direito, tornava os rebeldes em ovelhas perdidas. Era orgulho para um homem ser reconhecido como um ortodoxo, havia honra em estar certo. Se ele clamava errante pelo deserto, era mais que um homem, era uma igreja, o centro do Universo, estrelas giravam ao seu redor. Todas as torturas provenientes dos quintos dos infernos jamais faziam-no admitir-se como um herege. Infelizmente, muitos clichês modernos têm sido a vanglória de muitos homens. Dizem com sarcasmo: "Eu sou um herege." e logo miram a platéia esperando aplausos. Atualmente, a palavra "heresia" não significa apenas um passo além da verdade, significa também, na prática, ser uma pessoa de mente aberta e corajosa. Ser "ortodoxo" não significa mais estar certo, na prática tem o sentido de estar errado. Tudo isto redunda em uma coisa, uma coisa somente: que as pessoas têm cada vez menos cuidado se elas estão corretas filosoficamente. Obviamente, antes de confessar-se como herege um homem deve assumir que antes é um louco. Um tcheco engravatado de vermelho deve irritar-se com sua ortodoxia. Um homem bomba, ao preparar-se, a última coisa que ele pensa é se é um ortodoxo.
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