segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Igreja de Consumo


“Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.” Disse o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 2:17. O verbo grego “kapeleuo” traduzido por “mercadejar” tem a origem no mascate, um varejista do período neo-testamentário, era o profissional autônomo que ganhava dinheiro com a venda de algo. O termo tinha um significado, a princípio, negativo e é como o apóstolo utiliza neste verso, muitas vezes porque o mascate conseguia o ganho sordidamente sob o bordão “fazemos qualquer tipo de negócio”, induzindo-o a lucratividade ilícita. O uso negativo do termo serviu para responsabilizar aqueles que já no tempo de Paulo negociavam com a Palavra de Deus e buscavam obter ganho ilícito utilizando-se da verdade divina, corrompendo e adulterando-a assim como os mascates adulteravam habitualmente suas mercadorias para aumentarem seus lucros.

Em tempos recentes, observamos alastrar-se na América Latina, principalmente no Brasil, a recente igreja de consumo que está ligada ao conceito de sociedade de consumo e da economia de mercado, entendendo-se por economia de mercado aquela que encontra o equilíbrio entre oferta e demanda através da livre circulação de capitais, produtos e pessoas, sem a intervenção do Estado.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Entendendo o Mundo Evangélico - Parte III

De quem é a culpa?

Conforme vimos, após a Reforma quatro grandes grupos ortodoxos difundiram-se pelo mundo, no Brasil, até o início do século passado, resumidos entre os luteranos, os presbiterianos, batistas e então os pentecostais. Porém, de quem é a culpa desta azeda salada mista fermentada por heresias e seitas?
Atenção, vou revelar, das editoras evangélicas! Considero a principal, não a única. Até a década de oitenta, todo ano escritores, teólogos ou não, anunciavam as novas heresias e seitas. Livros e mais livros, descrevendo a forma, características de líderes e grupos com pseudo-cristianismo, eram o alerta a todo tempo. Porém, o mercado falou mais alto. A medida que as editoras puderam perceber o crescimento desses, aliada a grande crise de manter uma imprensa evangélica mal paga e mal lida pelos evangélicos ortodoxos, as nossas editoras renderam-se ao mercado pentecostal, em conseqüência no neo-pentecostal, passaram a “polir” o discurso anti-heresia e anti-sectário para cair nas graças do novo investidor de livros. Observem que ainda hoje editoras confessionais têm grandes dificuldades para sua manutenção.
E por que os pentecostais (neo-pentecostais) terminaram comprando mais livros que todos os ortodoxos? Vem aí uma grande questão. A maioria dos líderes ortodoxos, formados pastores e teólogos em cursos confessionais regulares, tinham seus próprios suprimentos em uma intelectualidade e autoridade espiritual adquiridas a partir da igreja e robustecida ainda mais nos seminários e faculdades teológicas. Assim, como pastores que alimentavam o rebanho, davam o provimento espiritual necessário ao rebanho a partir do púlpito de modo que não havia grande necessidade de literatura.
Já quanto aos pentecostais um grande problema, em virtude de sua vanguarda missionária ter em seus quadros uma maioria de semi-analfabetos quando não analfabetos. Lembro-me que somente no final da década de noventa a Assembléia de Deus do Rio Grande do Norte baixou um decreto que para ser pastor, líder de igreja deveria ter pelo menos o primeiro grau, hoje o ensino fundamental.
Estes novos pregadores pouco cultos e os convertidos sob sua guarda, sentiram-se cada vez mais sedentos na busca de conhecimento e buscaram as editoras, que por sua vez tinham livros que lhes traziam, muitas vezes enormes críticas. Houve reclamação e ameaça de boicote, enfim as editoras cederam. Livros e mais livros com listas de seitas e heresias foram retirados do prelo. Escritores mais críticos passaram a ser ignorados. Enfim, entre as décadas de oitenta a noventa as editoras perderam grande oportunidade de catequizar os pentecostais, hoje vê-se que o contrário ocorreu. Observe que somente nesta década a CPAD tomou um grande vulto, não lembro de uma publicadora da Assembléia de Deus antes do ano 2000.
Hoje, este retorno é impossível. As editoras evangélicas continuarão reféns do mundo neo-pentecostal ou irão à falência. Imagine que uma editora publique em um livro de seitas e heresias que aliste uma instituição semelhante à Igreja Universal do Reino de Deus. No outro dia, uma enxurrada de ações judiciais adentrarão às portas da editora e fechá-las-á. Se livros chegarem às prateleiras serão esvaziados, comprados pela própria seita.
Enfim, como em uma produção industrial, os evangélicos estão hoje enlatados na forma gospel televisiva. Para o brasileiro em geral, o evangelho é aquilo, acho também cômico que até igrejas outrora ortodoxas copiem para seus púlpitos os mesmos trejeitos de palco, do palco gospel.
Podemos fazer muito pouco, mas o Espírito de Deus tem feito bastante revelando as pedras de tropeço. Aos poucos, essa pandemia e endemia chega ao seu próprio estresse. Aberrações como a imitação de leões em palco, papas de terra nova, pastores pilões (ou pião?) terminam por evidenciar o que não é um culto racional direcionado pelo Espírito. Creio, tenho fé, que daqui a dez anos as igrejas ortodoxas verdadeiramente evangélicas colherão bastante com este esgarçamento e outros retornarão à igreja católica.  A princípio é necessário imaginar uma futura recepção com discipulado e uma imprensa evangélica que não seja covarde ao mercado. Finalmente, esta é uma análise histórico-teológica particular, aceita-se sugestões e diálogo sobre o assunto. Se ela está certa em seu todo ou em parte, somente o futuro do mundo evangélico dirá. 

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O que eles disseram - G. K. Chesterton


















Gilbert Keit Chesterton (1874-1936)
Para responder ao cético, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar duvidar, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do Universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio.

O Sábio à porta de tal cidade















No antigo Oriente Médio as cidades fortificadas tinham em seus portais os lugares formais das grandes decisões da sociedade. Os mais velhos, os anciães, os de cãs alvas, eram os verdadeiros juízes das causas comuns e difíceis, responsáveis também para aconselhar os que entravam e saiam da cidade. Em uma cidade arquetípica do oriente, a semelhança da cidade de Jerusalém ou Jericó, que seja. Um sábio permanecia à porta da cidade observando o deserto com suas areias em tempestades, transluzidas pelo calor escaldante. Ao longe, notou o ancião ainda mui longe, um peregrino surgindo em meio àquela tempestade, disforme à visão holografada pelo calor. Chega o jovem empoeirado a passos lentos e curtos, faminto, sedento e roupas gastas da viagem quase infinita, diante do ancião curva-se e diz: "Grande sábio, permita-me entrar em tua cidade." O de cãs alvas responde: "Por que devo deixá-lo entrar em minha cidade?" "Ah, grande sábio, a minha cidade é um lugar horrível, cheia de homens maus, detratores, avarentos, maliciosos e maledicentes; a cidade em si é suja, mal planejada, cresce desordenadamente, animais disputam as vias com os cidadãos, não há lugar pior, por isso fugi da cidade para encontrar uma melhor.", desabafou o jovem. O sábio põe a mão ao ombro do jovem e diz: "Levante-se, meu filho, encontre outro caminho, esta cidade é dez vezes pior que a sua." Levantou-se o jovem, seguindo o conselho sábio, saiu a peregrinar em busca de uma cidade melhor que a sua. Algum tempo depois, ao longe, notou o ancião um outro peregrino aparecendo em meio a tempestade, disforme à visão holografada pelo calor, com passos firmes. Aproxima-se o jovem, faminto, sedento e com as roupas gastas da viagem infindável, perante o sábio curva-se e diz: "Grande ancião, permita-me entrar em tua cidade." O conselheiro responde: "Por que devo deixá-lo entrar em nossa cidade?", "Senhor sábio, minha cidade é um lugar maravilhoso, cheia de homens honestos e bons, honrados, solidários, justos e bendizentes; a nossa cidade é simples, mas muito limpa e organizada, muitas pessoas estão chegando lá agora, o trânsito é intenso porque todos saem às ruas para saudarem uns aos outros e conversarem as melhores novidades. Animado com minha cidade saí peregrinando para saber se há outras tão boas quanto a minha, se o mundo é tão bom quanto..." O sábio ajudou o jovem a levantar erguendo-o pelos dois ombros e disse sorrindo: "Bendito jovem, achastes o caminho, entre em nossa cidade, ser-lhe-á tão boa quanto a sua." Eis porque o mundo pode ser melhor.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sua Nova Bíblia


Este é o mais recente design para a Bíblia que todos usarão nos próximos dois anos. Desde Guttemberg a maior revolução. Poderás não somente acessar inúmeras versões da Bíblia como material auxiliar de estudo. Preparem-se para as inovações. Aparecerá gente para dizer que é do Diabo. Fique atento.

Dicionário Semântico do Hebraico Bíblico


O Dicionário Semântico do Hebraico Bíblico (DSHB) é a versão e adaptação para o português do Semantic Dictionary of Biblical Hebrew (SDBH). O projeto SDBH teve início em 2002, sob os auspícios da United Bible Societies, visando a produção de um dicionário completo do hebraico bíblico organizado a partir de uma perspectiva semântica. O dicionário deve ser produzido concomitantemente em várias línguas modernas. O projeto DSHB em português é patrocinado pela Sociedade Bíblica do Brasil.

Uma fase preliminar do projeto foi o trabalho de pesquisa de Reinier de Blois, que entre 2000 e 2002 concebeu as bases teóricas e um primeiro modelo de verbetes de um futuro dicionário do hebraico bíblico baseado em campos semânticos, juntamente com um software desenhado especialmente para este projeto. Desde 2002, um grupo de pesquisadores/as internacionais trabalha neste projeto, com representação de todos os continentes. A pesquisa trabalha em duas direções que se interpenetram constantemente: a produção de um dicionário do hebraico bíblico e o mapeamento semântico da língua.

Tanto o SDBH como o DSHB foram projetados como dicionários eletrônicos para publicação na internet. Os resultados estão sendo publicados regularmente, desde 2004. Os verbetes do dicionário são assinados pelos/as respectivos/as autores/as. Os mapas semânticos (lexical e contextual) são uma produção conjunta de todo o grupo de pesquisa, que trabalha num sistema de rede via internet.

O projeto SDBH é coordenado por Reinier de Blois. O projeto DSHB em português é coordenado por Enio R. Mueller.

Acesse o site clicando aqui

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Cruz não era sua

Sobre o frio chão de uma cela, um jovem rebelde sofria rude solidão. A alegria dera o último adeus, era a pena de morte, chegava a hora da execução. Rosto inundado de pranto, filme de pecados retratavam-se em sua mente. Agora, uma rua sem saída, durante toda a vida, tudo fizera de errado, sofria desesperado. Entra o carrasco, remove as correntes de diz: "Você está livre, vá embora, hoje é seu dia de sorte, livrou-se da morte." E continuou: "Vá em paz, não há mais motivo, outra pessoa, um inocente, morrerá em seu lugar." Como? Questionou o bandido. Disse ser um criminoso, porque seria solto e um sem culpa condenado. Ele era a malícia em essência, o substituto totalmente sem maldade. O primeiro a mentira, o segundo a verdade. O bandido um revoltoso em guerra que do inocente recebeu a paz. Jesus Cristo assumiu a culpa, para morrer em um cruz que não era sua para soltar a Barrabás. Barrabás sou eu e você.

domingo, 25 de julho de 2010

Entendendo o Mundo Evangélico – Parte II




Antes de iniciar a descrever concernente a Era da Igreja Contemporânea, época em que situa-se à atual azeda salada mista que chamo carinhosamente aqui de mundo evangélico, convém fazer uma definição de termos a fim de que se dê encaminhamento temático.

Nesta salada mista, cabe identificar o que é seita e o que é heresia.

Seita no conceito teológico significa um grupo que segue uma crença que se afasta do corpo doutrinário essencial do Cristianismo. As que mais confundem são as conhecidas como as seitas pseudo-cristãs. As cinco características básicas de uma seita são: (1) Um líder que invoca para si o poder sobre a seita; (2) Falsa doutrina acerca de Deus ou nenhuma doutrina; (3) Escritos, totens e experiências místicas competindo autoridade com a Bíblia; (4) A salvação pela graça em Cristo Jesus é desviada ou esvaziada; (5) São exclusivistas quanto à Salvação ou acham-se mais escolhidos que os demais.

Heresia é simples de entender, significa qualquer erro doutrinário que não está à luz da Bíblia. Uma igreja pode não ser uma seita, mas ser detentora de uma grande heresia. Se a heresia atinge uma doutrina capital as pessoas que a seguem podem não ser crentes genuínos, se a doutrina não atinge uma doutrina capital as pessoas que a seguem podem ser crentes genuínos. As doutrinas capitais são a Teologia/Cristologia, Soteriologia e Bibliologia.

Vimos que até a Igreja Moderna quatro correntes evangélicas no mundo protestante: a luterana, anglicana, reformada e anabatistas. No contexto nacional basta dizer que a primeira corrente é representada pelas igrejas luteranas, a segunda pelas igrejas anglicanas, a terceira pelas igrejas presbiterianas ou qualquer outra que se denomine como reformada e a quarta os batistas em geral.

No Brasil, a Era Contemporânea é marcada pelo surgimento do Movimento Pentecostal a partir de 1914 através das Igrejas Assembléias de Deus, a Igreja Pentecostal Brasil para Cristo e outras no mesmo estilo. A discussão sobre a validade do batismo do Espírito Santo e dos dons espirituais (línguas, profecias e curas) proclamados pelo movimento pentecostal é uma discussão longa entre os quatro grupos oriundos da Reforma e os postulantes do movimento pentecostal. A maioria dos teólogos tradicionais consideram o pentecostalismo uma heresia que não afeta as doutrinas capitais sendo, portanto, um movimento cristão e não uma seita.

O movimento pentecostal desenvolveu-se e pela sua permeabilidade infiltrou-se em diversos segmentos religiosos, inclusive na Igreja Católica. No catolicismo são chamados de carismáticos, no protestantismo de renovados. Assim carismáticos, renovados e pentecostais são termos sinônimos para uma mesma visão teológica quanto ao movimento pentecostal.

Assim, para entender o mundo evangélico temos agora cinco grupos os oriundos da Reforma, repetindo, luteranos, anglicanos, reformados, anabatistas e pentecostais. Entre os reformados, podemos encontrar além de igrejas presbiterianas, igrejas metodistas, episcopais ou as diretamente denominadas como evangélicas reformadas. Entre os anabatistas podemos encontrar batistas, menonitas, congregacionais, igrejas evangélicas cristãs, igrejas bíblicas, etc. Entre os pentecostais, além de assembléias de Deus e Brasil para Cristo, inúmeras outras com terminação pentecostal. Enfim, a placa da igreja diz pouco o que ela é sim sua doutrina, vale a pena pensar se ela é luterana, anglicana, reformada, batista ou pentecostal. Se alguém tiver dúvidas sobre a definição de uma determinada igreja, no Brasil, basta, por enquanto, três perguntas: É reformada, batista ou pentecostal?

Parece-nos simples se não fora mais uma confusão atual, do pentecostalismo surge diversas seitas que caracteriza um novo movimento reconhecido como neo-pentecostal. Seita porque se afastam do Cristianismo original, deixam de pregar o evangelho e passam a dar ênfase a exorcismos, curas psicológicas e prosperidade. Utilizam a Bíblia como amuleto, sua doutrina e liturgia retomam os cultos afro-brasileiros, elas têm seus donos e proclamam-se superiores às demais organizações evangélicas.


Mas de quem é a culpa da salada ter azedado de modo a não ser possível mais distinguir entre um sabor e outro, isto é, entre uma igreja e outra? Isto é assunto que responderei na terceira parte: "De quem é a culpa?"

sábado, 10 de julho de 2010

Pires à Luz

Aquele café tão doce quanto negro, como particularmente me anestesia, já tinha chegado ao fim daquele e preparava-me para partida. Enquanto elevava xícara para afastar-me do doce prazer, percebi que o pires contrário a luz restava-lhe maior sombra. Um corpo quanto mais próximo da luz mais sua trevas se evidenciam. Meditei tão somente, a epígrafe de James Houston pode estar errada quando diz: "Deus está mais próximo de nós quando temos maior consciência Dele." Para minha felicidade descubro, assim como o pires contrário a luz, que quanto mais tenho consciência de Deus, sinto-me mais distante Dele. Quanto mais aproximo-me da Luz, noto abaixo minhas trevas. Sinto-me mais pecador. Se mais próximo de Deus, vejo-o Santo e eu iníquo. Se mais próximo de Deus, vejo-o mais justo e eu réu. Vejo-O mais sublime e eu áspero. Vejo-O perdoador e eu rancoroso. Vejo-O compassivo e eu incompassivelmente... trevas, mais pecador. Desejo estar sempre perto de Deus para ver e evitar meus negros abismos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Entendendo o Mundo Evangélico - Parte I

Resolvi chamar mundo evangélico a gama eclética de organizações religiosas que proliferam na atualidade. A diversidade como este mundo se apresenta, naturalmente confunde os não evangélicos e até os chamados evangélicos.

Recorramos, portanto, a uma breve história da igreja, conforme a visão protestante, pela qual tentaremos classificar as organizações do mundo evangélico.

O surgimento da igreja cristã está fundamentado no ministério do próprio Senhor Jesus, Ele mesmo disse: “edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16.18). Após sua morte e ressurreição, Cristo permanece quarenta dias com os seus discípulos, manda que se direcionem à Jerusalém para que recebam a promessa do Espírito Santo e então ascende aos céus.

No dia de Pentecostes, com a descida do Espírito Santo, é iniciada a igreja. Até a atualidade, a Igreja passará por cinco períodos: a Era da Igreja Primitiva, a Era da Igreja Antiga, a Era da Igreja Medieval, a Era da Igreja Reformada, a Era da Igreja Moderna e a Era da igreja contemporânea.

A Era da Igreja Primitiva corresponde ao período do ministério de seu Fundador, o Cristo, e da inauguração da igreja no dia de Pentecostes em Atos 2 até a morte do último apóstolo, o apóstolo João, de 1 a 100 d.C. É chamado também de período apostólico. 

A Era da Igreja Antiga é caracterizada pela presença dos pais da igreja e divide-se em dois períodos: o primeiro de 100 d.C. a 313 d.C. quando Constantino centraliza a igreja no poder do estado e de 313 d.C. a 590 quando surge o primeiro Papa Gregório, o grande, em 590 d.C.; a queda do Império Romano em 476 d.C. favoreceu sua ascensão como autoridade central. Durante o período da Igreja Antiga, de 100 a 590 d.C. em quatro grandes metrópoles do Império Romano são desenvolvidos cinco bispados: Antioquia, Jerusalém, Alexandria, Constantinopla e Roma. Esta última dá autoridade ao poder papal sobre a Igreja por ser a cidade-estado influenciadora.

A Era da Igreja Medieval é a mais longa e, portanto, a mais marcante sobre a história da igreja. De 590 a 1517 d.C. vários acontecimentos históricos podem ser destacados: o crescimento do poder maometano, a partir de 622 d.C.; o surgimento do Sacro Império Romano a partir de 800 d.C.; o grande cisma que provocou a separação entre igreja católica romana e ortodoxa grega em 1050 d.C.; as sete cruzadas de 1095 a 1270 d.C.; as grandes mentes medievais: Anselmo, Abelardo, Bernardo e Tomás de Aquino, de 1033 a 1274; início do Renascimento, a partir do sec. XIII; e o surgimento das primeiras tentativas de reforma com os Albigenses, 1170 d.C., os Valdenses, 1170, com João Wyclif, 1324-1384, João Huss, 1369-1415 e Jerônimo Savonarola, 1452-1498. E, em 1517, Lutero fixa suas 95 teses na porta da catedral em Wittemberg.

A Era da Igreja Reformada, de 1517 a 1648, caracteriza-se pelo desencadeamento da Reforma Protestante e da reforma católica conhecida como Contra-Reforma. A Reforma Protestante tem duas fases iniciais: primeira sob a liderança de Lutero, Zwínglio e Henrique e a segunda sob a liderança de João Calvino e João Knox.

Os postulados da Reforma Protestante podem ser resumidos em cinco pontos:

1. Sola fide – somente a Fé em Cristo é o fundamento para a Salvação, as obras são o resultado e não a causa. Justificação mediante a fé.

2. Sola Scriptura – somente a Escritura é a regra de fé e prática para o cristão e não a tradição interpretativa da igreja, pois a Bíblia interpreta a si mesma.

3. Solus Christus – somente Cristo é o único Cabeça, Chefe, Mediador e Sumo Sacerdote da Igreja; todo cristão genuíno tem um sacerdócio individual diante de Deus.

4. Sola Gratia ¬– somente graça significa que todos os nossos pecados foram pagos por Cristo na cruz, as obras não conduzem à salvação. É por ela, a graça, que se é salvo, mediante a fé, isto é crer.

A partir da Reforma Protestante no Século XVI surgem quatro movimentos protestantes distintos: Luteranos, Anglicanos, Reformados e Anabatistas.

A Era da Igreja Moderna, de 1648 a 1914, corresponde ao período da Paz de Westphalia (Fim da Guerra dos 30 anos) ao surgimento do movimento evangélico em 1914. Neste período, as igrejas serão influenciadas por diversos movimentos como o racionalismo, o pietismo, o positivismo, o fortalecimento do denominacionalismo (presibiterianos, batistas, luteranos, menonitas, anglicanos, metodistas, etc.), surgimento das seitas pseudo-cristãs (testemunhas-de-Jeová, adventistas-do-sétimo-dia, mórmons, etc), o liberalismo/modernismo teológico, em virtude deste o movimento evangélico, e finalmente, principalmente no Brasil, pelo movimento Pentecostal.

A Era Contemporânea, tema da segunda parte, pode ser entendida, tendo como princípio básico e ponto de partida o gráfico abaixo:


terça-feira, 2 de março de 2010

Fé e Prática

 


O sertanejo, embora assim pareça, não é um só. Entre os sertanejos há diversos grupos, uns nobres e outros nem tão nobres assim. Há o vaqueiro, pastor de gado grande e miúdo; o tropeiro, navegante da caatinga na condução de víveres; o cangaceiro, justiceiro implacável; e o jagunço assassino por natureza. Há um tipo boa vida, o fazendeiro. Sem qualquer arrodeios e arreios, é natural pensar como tipos díspares, fartos do ecletismo de característica, podem figurar um só tipo de homem, como dito, o sertanejo. Esta verossimilhança sobrevém por um fator duplamente interligado, a imensidão do sertão e a ínsita necessidade de sobrevivência. O que os une é a raridade da vida no semi-árido, a odisséia de luta pela água, seu alvará de vida e pertinácia.

Em uma odisséia semelhante, os batistas são um resultado da luta pela Bíblia como sua regra de fé e prática, confiam piamente que este princípio é uma das características capitais do cristão do primeiro século. Os bereianos destacaram-se na Macedônia dos tessalonicenses porque além de receberem a palavra com toda avidez, examinavam nas Escrituras para verem nas Escrituras se as coisas pregadas pelo apóstolo Paulo eram de fato assim. Como tantos outros, aceitavam a Escritura como inspirada por Deus e útil para o ensino, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra porque homens santos de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo (At 17.11; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21). Em menor grau está a luta do sertanejo, em maior grau a luta do verdadeiro cristão que a história chamou-o de batista. Seja a peleja pela Água da Vida e pela água da sobrevivência constituíram-se em uma história de resistência e liberdade. 

A semelhança da gênese sertaneja, a identificação de um batista transporta consigo uma variante genealógica comungante da mesma odisséia de tipos ecléticos, alguns nobres, mas outros nem tão nobres assim que fazem o cristão genuíno e o batista parecerem um só. Em Alexandria, Orígenes recomendava a leitura da Bíblia em casa. Na Palestina, Eusébio de Cesaréia insistia para que os novos crentes familiarizassem com as Escrituras. 

Já no século IV, devido à carência de educação entre os latinos e a ausência de traduções nas línguas bárbaras, a leitura da Palavra estreitou e abriu um largo caminho para a tradição que, no decorrer do tempo, adquiriu mais e mais autoridade de supremacia. Alguns escritos digladiavam para colocarem-se no mesmo pedestal das Escrituras. Os concílios da igreja e os decretos do Bispo de Roma adquiriram cada vez mais autoridade, o Cristianismo tornou-se sertão e a primazia das Escrituras um semi-árido. Asa branca bateu asas e voou.

Analogamente ao sertanejo, nos tipos do vaqueiro, do tropeiro, do cangaceiro, do jagunço e dos fazendeiros, pela falta d’água e evasão do gado, diversos grupos cristãos: os novacianos anti-hierarquistas do III século; os donatistas espiritualistas do IV século; e os cátaros do XII século. 

Os nobres petrobrussianos no Sul da França, 1106 d.C., defendiam que as Escrituras são a única autoridade e não a tradição, os seguidores de Pedro de Bruys defendiam também que a verdadeira igreja é composta por membros regenerados, quer dizer, nascidos de novo, repudiavam a missa e as orações pelos mortos e símbolos ressignificados em edifícios, cruzes e cânticos de hinos eram idólatras.

Os valdenses “boa-vida”, motivados em Mateus 19.21, abandonaram tudo, e junto com Pedro Valdo, saíram pregando em Lião, 1150 d.C., e além que devemos obedecer às Escrituras e não ao Papa, que a missa, o purgatório e a confissão aos pés do vigário não têm fundamento bíblico, que as indulgências para pagar pecados deviam ser rejeitadas, que os leigos devem ter o direito e pregar, que os juramentos devem ser proibidos e que a mentira constituía-se em um pecado mortal.

Infelizmente, como a seca que dirime a vida e seca além do solo a alma, Roma, em 1229, proibiu aos leigos a leitura vernácula da Bíblia. Ter a Palavra na própria língua tornou-se um crime.

Os lolardos, no mesmo ímpeto daqueles, seguindo o inglês João Wycliff a partir de 1375, defenderam a interpretação literal da Escrituras, opuseram-se ao monasticismo e a transubstanciação, defenderam a nacionalização da igreja, até então imperial, e que as Escrituras deviam ser apresentadas na língua do povo.

Estes assemelhados batistas, assim como os sertanejos, na labuta que lhes era inegociável defenderam nesta odisséia no tempo e no espaço, o direito a vida espiritual na imensidão dos séculos. Nesta viagem continuada da história, João Huss, disseminando os ensinos de Wycliff e tantos outros, deu luz à Reforma. Na epopéia do sobreviver como cristão, na lida da Bíblia regra de fé e regra de prática, são estes nossos antecessores.

Diálogo entre mim e Alice

- Alice, minha filha, iremos mudar para uma casa bem menor. Okay?

- Papai, eu não me importo de ir para uma casa menor porque sei que um dia vou poder ter uma casa bem grande que ninguém nunca morou.

- Que bom! minha filha, você é muito inteligente, iremos orar, você vai estudar, ter um bom emprego, o Senhor vai lhe abençoar em tudo e poderás construir uma casa beeeem grande.

- Não, papai. Não é desse tipo de casa que estou falando. Estou falando de uma casa no céu, preparada por Jesus que ninguém nunca morou.

Alice tem 7 anos.

Microssegundos de Josué

Analogamente ao dia de Josué (Js 10.13), a NASA caculou que terremoto no Chile alterou a rotação da terra. Leia a reportagem do G1:

 

Efeito colateral - Eixo da Terra e duração do dia são afetados por grandes alterações de configuração de massa do planeta (Foto: Nasa)

Terremoto no Chile pode ter encurtado duração dos dias, diz Nasa

Cientista calculou que tremor mudou o eixo da Terra em 8 centímetros.
Abalo na região de Sumatra, em 2004, deslocou o eixo em 7 centímetros.

A rotação da Terra pode ter sido alterada como resultado do terremoto no Chile no sábado (27). O cientista Richard Gross e colegas do Laboratório de Propulsão a Jato da agência espacial americana (JPL/Nasa), rodaram um modelo computacional complexo e, em um cálculo preliminar, concluíram que o tremor de magnitude 8,8 teria encurtado a duração de um dia terrestre em 1,26 microssegundo (um microssegundo é igual a 1 segundo dividido por 1 milhão). 

Gross calculou que o megaterremoto mudou o eixo do planeta em aproximadamente 8 centímetros). Para comparação, o mesmo modelo computacional calculou que o tremor de 2004 em Sumatra (magnitude 9,1) encurtou o dia em 6,8 microssegundos e deslocou o eixo da Terra em 7 centímetros).

Gross teve a cautela de ponderar que seus números provavelmente vão mudar à medida que os dados sobre a tragédia chilena forem refinados.


 FONTE: G1, São Paulo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nossas Raízes Batistas




O umbuzeiro é aquela árvore abençoada verde em meio à caatinga no semi-árido. Ainda que a léguas d'água, permanece a frondosa como uma amostra da graça divina nesse mundo do sertão nordestino. E não é sem causa que a pouco tempo atrás os umbuzeiros formavam os pontos de parada para tropeiros e vaqueiros. Meu bisavô, o Sr. João Silvério de Nova Cruz (RN), deve ter parado muitas vezes sob um, eu mesmo já utilizei um umbuzeiro como abrigo, no caminho antigo de Jardim do Seridó (RN) para o açude Zangarelhas aquela benção de Deus no meio do caminho era o descanso garantido durante o retorno das peripécias da represa. A árvore permanece sempre verde, sempre frutífera e sempre sombrejante porque o Divino dotou-a de uma raiz que é bem dizer um poço artesiano sangrando água, uma espécie de batata que mais parece um pote. 

Como estivesse a sombra de umbuzeiro é que imagino a minha herança cristã como um batista. Por que tão abençoados que somos vivendo em um mundo pecaminosamente árido e desnutrido de amor, nós os batistas, evangelizadores natos, parecemos os tropeiros a levarem as cargas de benéfices do evangelho através dos tempos e das eras – vaqueiros jamais cansados de lidar com os sertões ermos dos corações – devemos isto às raízes de nossos princípios batistas profundamente entranhadas na história do Cristianismo. 

Assim como o tropeiro rude e forte prefere a vida nômade, os batistas adotaram sempre um espírito não conformista. Rejeitaram o domínio eclesiástico e elegeram as Sagradas Escrituras como única regra de fé e prática. Se um sertanejo assemelha-se a outro, nós os batistas parecemos com outros grupos que lutaram para manter a simplicidade neotestamentária. É difícil para o viajante determinar de que umbuzeiro provém um outro, como é difícil para um batista determinar, à sombra da história, a sua estirpe aos ramos mais primitivos da igreja cristã. Todavia, como o frescor disseminado pelo manancial do umbuzeiro, estamos convencidos deste espírito de liberdade de fé dos batistas que enraizou-se em uma longa sucessão de testemunhas fiéis ao ideal espiritual do Cristianismo até aos tempos dos anabatistas no século XVI, concomitante aos turbulentos dias da Reforma. 

Semelhante ao umbuzeiro nos melancólicos paroxismos estivais, nossa história retrata-se a duras penas, permanece sempre verde, cheia de esperança e firme de tal forma a abençoar, como uma fonte de águas puras, transmitindo os princípios declarados pelo Cristo, agora reservados aos necessitados, o quais se espalham pela flora sertaneja deste mundo, transformando-o a igreja em tempos felizes os cereus tristonhos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Observações introdutórias sobre a Importância da Ortodoxia II


Em termos gerais, hoje, é loucura um filósofo provocar outro no mercado de Smithfield, simplesmente porque não concorda com sua teoria sobre o universo. O que foi feito com freqüência no passado no fim da Idade Média, mas que fracassou completamente com seu objeto. Mas há algo que é infinitamente mais absurdo e impraticável: queimar um ser humano por sua filosofia. Esta é a forma de declarar que sua filosofia não importa, o que é feito amplamente no século XX, a decadência do grande período revolucionário. Teorias gerais são desprezadas em toda parte, a doutrina dos Direitos do Homem é desprezada tanto quanto a doutrina da Queda do Homem. O ateísmo, nos dias de hoje, é cada vez mais teológico. Qualquer revolução retém muitíssimo de um sistema, assim como para haver liberdade necessita-se haver bastante comedimento. O Sr. Bernard Shaw expôs um epigrama perfeito: "A regra de ouro é que não existe uma regra de outro". Necessitamos discutir cada vez mais detalhes acerca da arte, da política e da literatura. A opinião de um homem acerca de bondes elétricos ou concernente a obra de Botticelli não importa. Ele pode revirar e explorar um milhão de objetos e não achar nenhum objeto estranho naquele universo. Porque, se achar, terá uma religião e se perder. Nada importa – exceto tudo. (CHESTERTON, tradução de Heretics)
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