sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hermenêutica: Princípios de Interpretação da Bíblia

Em Listra, região da Licaônia, após a cura de um homem inválido, Paulo e Barnabé foram aclamados como deuses.

Júpiter e Mercúrio são os nomes latinos para os deuses gregos Zeus e Hermes. Para os gregos seu país ocupava o centro da Terra e, no centro de seu país, estava o Monte Olimpo, na Tessália, abrigava, além de Zeus (Júpiter), Cronos (Saturno), Eros (Cupido) e os Titãs.

A Hermes (Mercúrio) eram atribuídas toda e qualquer atividade que exigisse destreza e habilidade. Por ser Filho e Zeus (Júpiter) com a ninfa Maia, tinha como atividade principal ser o portador e intérprete da mensagem dos deuses. (At 14.8-12)

Assim, de Hermes (Ἑρμᾶς) temos a palavra Hermenêutica (ἑρμηνευτική) a técnica da interpretação. Para os gregos, dizia-se isso quanto à interpretação criativa como um dom e percepção da razão. Como o deus, poetas e videntes proferiam mensagens dos deuses, os quais como expositores praticavam a hermenéia.

Para nós, os cristãos, hermenêutica significa a "a arte e a ciência de interpretar a Bíblia." Portanto, é também conhecida por hermenêutica sagrada ou hermenêutica bíblica.

A primeira coisa a saber acerca da interpretação bíblica é "Todos podem interpretar a Bíblia!". Para isto, os processos cognitivos básicos são a observação, a interpretação, a correlação e aplicação. Cada um desses faz, respectivamente, as seguintes perguntas: O que vejo no texto? O que significa? Como este texto relaciona-se com o restante da Bíblia? O que significa para mim?

Junto a estes processos, podemos categorizar os princípios de interpretação em quatro grandes áreas: os princípios gerais, os princípios gramaticais, os princípios históricos e os princípios teológicos.

Nos princípios gerais, o intérprete deve partir da pressuposição de que a Bíblia tem autoridade, que ela é, acima de tudo, sua própria intérprete, porque a Escritura explica melhor a Escritura. Além disso, a fé salvadora e o Espírito Santo são necessários para que se compreenda a fundo a Palavra de Deus. Mesmo dentro deste aspecto subjetivo, a experiência pessoal deve ser interpretada sempre à luz das Sagradas Escrituras, e não a Escritura à luz da experiência pessoal. Acerca dos exemplos bíblicos, todo cuidado é necessário, porque os exemplos bíblicos só têm autoridade quando são expressos por uma ordem. Que nunca seja esquecido, o propósito primário da Palavra é modificar nossas vidas. Por isso, cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretá-la pessoalmente. Deve saber também a importância da história da igreja, mas atentando para o fato dela não ser decisiva para esta interpretação. Sempre lembrando que promessas de Deus em toda Bíblia estão disponíveis ao Espírito Santo a favor dos crentes de todas as gerações. Como vimos, nesta fase, nosso auxílio imprescindível é o Espírito Santo. (1 Co 2.12-13)

Quanto aos princípios gramaticais, vale salientar que a Escritura pode ter somente um sentido, isto é, deve ser tomada literalmente. Isto implica em buscar interpretar as palavras o sentido que tinham no tempo do autor, e esta interpretada em relação à sentença e ao seu contexto. Além das palavras, toda passagem deve ser também interpretada em harmonia com o contexto. Atente para entender que quando um objeto inanimado é usado para descrever um ser vivo, a proposição pode ser considerada como figurada. Nas parábolas, as principais partes e figuras representam certas realidades, portanto considere somente estas principais partes e figuras quando estiver tirando conclusões. Nas profecias, as palavras dos profetas devem ser interpretadas em sentido comum, literal e histórico, a não ser que o contexto ou a maneira como se cumpriram indiquem claramente que têm sentido simbólico, o cumprimento dela pode ser por etapas, cada cumprimento sendo uma garantia daquilo que há de seguir-se. Nestes princípios, nossas ferramentas são as línguas bíblicas, as versões da bíblia, léxicos e dicionários. (2 Tm 3.16)

Os princípios históricos preconizam que se a Escritura originou-se em um contexto histórico, só deve ser compreendida à luz da história bíblica. Embora a revelação de Deus na Palavra seja progressiva, tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento são partes essenciais desta revelação e formam uma unidade. Desde então, os fatos ou acontecimentos históricos tornam-se símbolos de verdades espirituais somente se a Bíblia assim designar. Como auxílio destes princípios temos a história da Bíblia, a história secular, a geografia e a arqueologia bíblica. (Rm 15.4)

Finalmente os princípios teológicos de interpretação. Quanto a estes, precisa-se de uma observação, a Bíblia antes de ser compreendida teologicamente deve ser compreendida gramaticalmente. Acrescido a isto, entende-se que uma doutrina não pode ser considerada bíblica se não resumir e incluir tudo o que livro sagrado diz acerca dela. Portanto, quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contraditórias, aceite ambas como escriturísticas, crendo confiantemente que elas se explicarão dentro de uma unidade mais elevada de compreensão. Enfim, um ensinamento simplesmente implícito na Escritura Sagrada só deve ser considerado bíblico quando uma comparação de passagens o apóia. Recorremos, portanto, às concordâncias bíblicas, aos comentários e tomos teológicos. (2 Pe 3.15-18)


 

Referências


 

HENRICHSEN, Walter A. Princípios de Interpretação da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.

VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Editora Vida, 1987.

ZUCK, Roy B. A interpretação bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1994.


 

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