domingo, 25 de junho de 2017

25 de Junho de 1530: Confissão de Augsburg

DW

Em 25 de junho de 1530, os príncipes que haviam aderido à Reforma foram convidados a explicar-se no Parlamento alemão. Na ocasião, Philipp Melanchton, amigo de Lutero, apresentou a proclamação da fé luterana.


Monumento a Melanchton, em Wittenberg


Para melhor compreender a importância da Confissão de Augsburg, é necessário apresentar a situação histórica no contexto da Reforma da Igreja, impulsionada pelo estudioso Martinho Lutero, da Ordem dos Monges Agostinianos. Ele se aprofundou na teoria da religião a partir de 1510, quando retornou de uma viagem a Roma, decepcionado com a corrupção que constatara no alto clero.

Aprofundando seus estudos, concluiu que o homem só se pode salvar pela fé incondicional em Deus, não pelas obras praticadas ou pela indulgência comprada. A fim de arrecadar fundos para financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, o papa Leão 10 havia permitido o perdão dos pecados a todos que contribuíssem financeiramente com a Igreja.

Escandalizado com essa salvação comprada a dinheiro, Lutero afixou na porta da igreja de Wittenberg, no leste da Alemanha, um manifesto público (as 95 teses), em que protestou contra a atitude do papa e expôs os elementos de sua doutrina. Iniciava-se, desta maneira, uma longa discussão entre Lutero e as autoridades eclesiásticas, culminando com sua excomunhão pelo papa, em 1520.

No dia 21 de janeiro de 1530, o imperador Carlos 5º convocara uma Dieta imperial a reunir-se em abril seguinte, em Augsburg, no sul da Alemanha. Para dispor de uma frente unida contra os turcos nas suas operações militares, ele exigiu o fim do conflito entre protestantes e católicos.

Melanchton, o autor intelectual

Os príncipes e representantes das cidades livres do Império foram convidados a discutir as diferenças religiosas na futura Dieta, na esperança de superá-las e restaurar a unidade. Atendendo ao convite, o príncipe eleitor da Saxônia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um relato sobre as crenças e práticas nas igrejas da sua terra, que seria apresentado ao imperador.

Sob a coordenação de Philipp Melachton, foram reunidas as doutrinas compiladas nos documentos conhecidos como Artigos de Schwabach, de 1529, e Artigos de Torgau, de março de 1530.

Lutero, que não estava presente em Augsburg, foi consultado por correspondência, mas as emendas e revisões continuaram sendo feitas até a véspera da apresentação formal ao imperador, em 25 de junho de 1530. Assinada por sete príncipes e pelos representantes de duas cidades livres, a Confissão imediatamente foi reconhecida como uma declaração pública de fé.

De acordo com as instruções do imperador, os textos das confissões foram apresentados em alemão e latim. Diante da Dieta foi lido o texto alemão, que é, por isso, tido como mais oficial.

A Confissão representava um esforço para manter a Igreja unida e continha as principais teses da doutrina de Lutero, entre as quais as que dizem respeito à doutrina da justificação, ou da salvação. Mesmo que a Confissão tivesse sido redigida em estilo conciliador, evitando ataques e reivindicações, não foi aceita pela Igreja Católica e sua divulgação ficou proibida.

A rejeição da Confissão de Augsburg deu força à separação entre luteranos e católicos. Passaram-se quatro séculos de condenações recíprocas e guerras religiosas. O diálogo, suspenso em 1530, só recomeçou em 1967, após o Concílio Ecumênico Vaticano 2º.

Meio religioso para fim militar

Philipp Schwarzerd foi o compilador, não somente da Confissão, como também de outro documento muito importante, conhecido como Apologia da Confissão de Augsburg. Philipp nasceu em Bretten, Baden, em 1497. Seu tio-avô, o famoso humanista Reuchlin, exerceu grande influência sobre ele.

Devido à admiração pelo idioma grego, "helenizou" o sobrenome, adotando o nome de Melanchthon, conforme a tradução de "terra negra" para o grego. Foi grande amigo de Lutero e o seu mais fiel aliado na causa da Reforma. Se, de um lado, Lutero era profundo conhecedor da Palavra de Deus, Melanchthon foi um dos maiores conhecedores das línguas originais nas quais a Palavra de Deus havia sido escrita.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Meia taça de vinho por dia eleva risco de câncer de mama

Segundo um novo estudo, meia taça de vinho ou um copo pequeno de cerveja já é o suficiente para aumentar o risco de câncer de mama

Por Da redação



Segundo um estudo britânico, meia taça de vinho ou copo pequeno de cerveja aumenta o risco de câncer de mama na pré-menopausa em 5% e na pós-menopausa, em 9%. (iStock/Getty Images)

O vinho já foi associado a diversos benefícios para a saúde, principalmente no que diz respeito ao coração. Mas um novo estudo, realizado pelo Fundo Mundial para Pesquisas sobre Câncer, sugere que meia taça da bebida – ou um copo pequeno – por dia já é o suficiente para aumentar o risco de câncer de mama em mulheres.

Na verdade, neste caso, o dano está associado ao álcool e não à bebida em si. Um copo pequeno de cerveja por dia também foi associado ao aumento do risco do tumor. Por outro lado, a prática regular de atividade física de alta intensidade pode reduzir a probabilidade de sofrer da doença.

“Com este relatório abrangente e atualizado, a evidência é clara: ter um estilo de vida fisicamente ativo, manter um peso saudável ao longo da vida e limitar o álcool – são todas as medidas que as mulheres podem tomar para reduzir seu risco.”, disse Anne McTiernan, uma das autoras do estudo.
Menos álcool, mais exercício

Os pesquisadores analisaram 119 estudos já existentes, totalizando 12 milhões de mulheres, das quais 260.000 desenvolveram câncer de mama. Os resultados mostraram que apenas 10 gramas de álcool por dia – o equivalente a um copo pequeno de vinho ou cerveja – aumenta o risco de câncer de mama na pré-menopausa em 5%. A mesma quantidade de álcool aumentou em 9% a probabilidade de câncer de mama na pós-menopausa, a forma mais comum do tumor.

A revisão também mostrou que o excesso de peso e a obesidade aumentam a probabilidade de câncer de mama pós-menopausa. Por outro lado, a prática regular de atividade física diminuiu o risco dos dois tipos de tumor. Antes da menopausa, 45 minutos por dia de exercícios vigorosos, como corrida ou bicicleta, significaram uma redução de 17% no risco de câncer de mama. Após a menopausa, o impacto desse tipo de exercício foi de apenas 10%. Porém, a prática de atividades moderadas, como jardinagem ou caminhada, reduziu a probabilidade da doença em 13%.
Alimentação também contribui

No que diz respeito à dieta, o relatório concluiu que existem “evidências limitadas” que vegetais sem amido, como brócolis,
repolho, couve-de-bruxelas, alho-poró, feijão e espinafre podem diminuir o risco dos chamados cânceres de mama negativos aos receptores de estrogênio. Embora seja um tipo mais raro de câncer da mama, tende a ser mais agressivo e ter um pior prognóstico.

Também foi encontrada uma associação entre dietas ricas em laticínios, cálcio e carotenoides e uma redução no risco de câncer de mama. Carotenoides são pigmentos sintetizados por plantas, que frequentemente são responsáveis por sua coloração amarelada, laranja ou vermelha. Alguns alimentos ricos na substância são abóbora, damasco, cenoura, espinafre e couve.

“As conclusões indicam que as mulheres podem obter algum benefício ao incluir na dieta uma alta variedade de vegetais não-amiláceos, incluindo alimentos que contêm carotenoides. Isso também pode ajudar a evitar o comum acúmulo de peso de 500 gramas a um quilo por ano, o que é fundamental para reduzir o risco de câncer.”, disse Anne.

Câncer de mama no Brasil

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor maligno mais incidente entre as brasileiras, atrás apenas do câncer de pele não melanoma, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Para o Brasil, são esperados 57.960 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100.000 mulheres.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Refugiados cristãos enfrentam ataques na Alemanha




Pesquisa de organização cristã listou centenas de casos de agressão e ameaças por parte de muçulmanos em abrigos. Alvo da violência geralmente são os convertidos ao cristianismo.

Funeral da afegã e ex-muçulmana assassinada em Prien am Chiemsee

A mãe de quatro filhos tinha 38 anos e vivia na Alemanha desde 2011. Afegã e ex-muçulmana, havia se convertido ao cristianismo e se envolvido em um projeto para ajudar os refugiados promovido pela sua igreja em Prien am Chiemsee, no estado alemão da Baviera. Nenhum de seus amigos jamais pensou que a mulher seria esfaqueada na rua e em frente de seus filhos por um refugiado de 29 anos, também do Afeganistão. O crime ocorreu no dia 30 de abril.

A polícia agiu inicialmente com cautela em relação ao motivo do crime. O agressor foi considerado "mentalmente instável" e está passando por tratamento psiquiátrico. Mas os investigadores também estão considerando a conversão religiosa da mulher como uma possível motivação para o crime. O suspeito, um muçulmano, foi descrito como "muito religioso".

No funeral, o pastor da comunidade falou sobre as reações desencadeadas pelo crime. Em entrevista à DW, Karl-Friedrich Wackerbath disse que um grupo de muçulmanos apareceu espontaneamente e se desculpou pelo ocorrido. Eles também expressaram o desejo de que o crime não provoque uma campanha de difamação geral contra os muçulmanos.

O dia a dia em um abrigo de refugiados é outra história. Desde 2015, houve um aumento no número de relatos de refugiados cristãos que foram atacados verbal ou fisicamente. Embora a situação tenha relaxado com a queda do número de refugiados que chegam à Alemanha, ainda ocorrem situações difíceis para os requerentes de refúgio que se converteram.

Vítimas se sentem impotentes

Por exemplo, uma parede em um abrigo foi pichada com a frase "é hora de matar os infiéis". A entrada do banheiro, chuveiros e da cozinha foi restringida com a frase "o impuro não pode entrar". Há casos de convertidos obrigados a ouvir preces islâmicas ou versos do Alcorão, que são transmitidos por meio de telefones celulares. Aqueles que não usam véus ou que exibem crucifixos estão sujeitos a recriminações duras. Além de insultos e abusos, há ataques de faca, e, com frequência, ameaças de morte.

Representantes de organizações religiosas que ajudam refugiados disseram à DW que tais incidentes são frequentes. O jornal Iraner Seelsorge de Hannover, que aconselha refugiados do Irã, relatou o caso de um jovem convertido que foi intimidado na escola. Os abusos ocorreram com regularidade e acabaram forçando o jovem a abandonar a instituição.

Na igreja luterana Trindade, no distrito de Steglitz, em Berlim, o pastor Gottfried Martens reclama que as vítimas que denunciam tais casos não são levadas a sério.

No ano passado, o chefe da Conferência dos Bispos Alemães, o cardeal Reinhard Marx, bem como o chefe do conselho da Igreja Evangélica na Alemanha, Heinrich-Bedford Strohm, admitiram a existência de casos de intimidação e violência contra refugiados cristãos. Eles disseram que levam a questão a sério, mas que ainda não tem informações claras sobre o tamanho do conflito religioso. Passaram a ideia de que se trataram de incidentes isolados.

Apenas a ponta do iceberg?

"A teoria dos casos isolados foi refutada", disse Ado Greve em uma conversa com a DW. Greve é ​​porta-voz da ONG cristã Portas Abertas em Kelkheim, um subúrbio de Frankfurt. A organização tenta dar voz às minorias cristãs ao redor do mundo.

Quando as queixas sobre a discriminação de refugiados cristãos não pararam de chegar, a Portas Abertas decidiu levantar alguns números por conta própria. A primeira tentativa foi criticada publicamente por reunir dados que não seriam confiáveis. Mas em outubro de 2016 a organização publicou um segundo levantamento: "56% das pessoas ouvidas citaram agressões físicas graves e 83% admitiram que sofreram agressões", contou Ado Greve.

As duas pesquisas ouviram 743 refugiados cristãos e dez da minoria yazidi entre maio e setembro de 2016. No grupo havia mais 300 iranianos, 263 sírios, 63 afegãos, entre outras nacionalidades. Os documentos da Portas Abertas listaram 522 episódios de ataques. Segundo as pesquisas, 91% das pessoas ouvidas culparam refugiados muçulmanos pelos ataques – e, entre elas, 28% culparam guardas de origem muçulmana. Em muitos casos as vítimas apontaram que os agressores eram conterrâneos.

Quando a reportagem questionou a se amostra não seria muito limitada, Greve respondeu com uma pergunta: "Quantos refugiados afetados precisamos achar para que não encaremos como casos isolados, quinhentos, mil?"

Nenhum caso listado no relatório levou a alguma uma condenação. Até agora, apenas o estado de Hesse implementou medidas para tentar reduzir os casos de agressão e ameaças.

Homo naledi pode ter convivido com ancestrais humanos

Espécie de hominídeo descoberta na África do Sul é mais recente do que se esperava, apesar de apresentar características primitivas, como o cérebro pequeno.


Reconstrução do crânio do Homo naledi


O Homo naledi, uma espécie de hominídeo descoberta na África do Sul em 2013, viveu "apenas" centenas de milhares de anos atrás, o que indica que ele conviveu com ancestrais humanos na região, afirmaram cientistas nesta terça-feira (09/05).

O que o "Homo naledi" pode dizer sobre a evolução humana?

Um processo rigoroso de datação mostrou que o Homo naledi viveu entre 236 mil e 335 mil anos atrás, um período extremamente recente em termos paleontológicos, afirmou o cientista Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Johanesburgo.

"É a primeira vez que se demonstra que outra espécie de hominídeo viveu junto aos primeiros humanos na África", afirma um comunicado dos pesquisadores. "É algo surpreendente", disse Berger, sobre a época em que viveu a espécie. "Pensávamos que poderia ter sido há milhões de anos."

Em 2015, quando a descoberta foi anunciada, Berger foi muito criticado por paleontólogos de todo o mundo por apresentar a descoberta do Homo naledi sem ter feito a datação dos fósseis encontrados.

O Homo naledi mistura características humanas recentes e primitivas, como um cérebro pequeno, o que levou cientistas a especular que ele fosse um dos exemplares mais antigos do gênero Homo.

"Isso [o período em que a espécie viveu] é surpreendentemente recente para uma espécie que ainda mostra características primitivas, encontradas em fósseis com cerca de 2 milhões de anos, como o tamanho pequeno do cérebro, os dedos curvos e os formatos dos ombros, tronco e articulação dos quadris", comentou o cientista Chris Stringer, do Museus de História Natural de Londres, em declarações à agência de notícias AP.

"Já pulso, mãos, pernas e pés parecem mais com os dos Neandertais e humanos modernos, e os dentes são relativamente pequenos e simples", completou o especialista.

A revelação sobre a datação dos fósseis de Homo naledi vem acompanhada do descobrimento dos restos de três espécimes dessa classe de hominídeos, uma criança e dois adultos, um dos quais com o crânio num estado de conservação muito bom.

Os novos fósseis foram encontrados numa cavidade adjacente à que abrigava os primeiros achados do Homo naledi, o que leva os cientistas a pensar que essa espécie guardava seus mortos numa parte separada das cavernas em que vivia.

O Homo naledi foi descoberto em 2013 no conjunto de cavernas conhecido como Rising Star (estrela crescente), localizado perto de Johanesburgo, na África do Sul. No local foram encontrados os ossos de 15 indivíduos da espécie, o que permitiu documentar e descrever o esqueleto do Homo naledi com riqueza de detalhes. Naledi significa estrela na língua tsuana.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Família que controla maior empreiteira do país propagandeava "ética protestante alemã" de ancestrais como atestado de rigor empresarial

Odebrecht, da Prússia à Operação Lava Jato

Família que controla maior empreiteira do país propagandeava "ética protestante alemã" de ancestrais como atestado de rigor empresarial.


Retrato de família: Marcelo, à esquerda, ao lado do pai, Emílio, e atrás, de terno claro, Norberto, fundador da organização


Durante décadas o sobrenome Odebrecht foi sinônimo de riqueza e influência no Brasil. Batiza a maior empreiteira nacional, braço de um dos maiores grupos empresariais do país. Nos últimos dois anos, também passou a evocar o maior caso de corrupção político-empresarial da história brasileira. Com a imagem despedaçada, executivos do grupo vêm discutindo mudar o nome para reverter o desgaste. Surgiram sugestões como adotar a sigla "ODB" ou criar marcas independentes para cada subsidiária.

Antes de ser tragada pela Lava Jato, a Odebrecht ostentava orgulhosamente o nome como uma espécie de "Made in Germany". Em livros escritos por membros da família e na história oficial do grupo, a origem alemã do seu fundador, Norberto Odebrecht, sempre foi citada com destaque, como um suposto atestado de veia empreendedora e de rigor em relação ao trabalho.

A saga brasileira dos Odebrecht começou há 160 anos, com a chegada ao Brasil do bisavô de Norberto, Emil Odebrecht, um nativo do vilarejo de Jacobshagen, então na parte pomerana da Prússia (e hoje na Polônia, com o nome de Dobrzany).

A família pode facilmente traçar sua genealogia até o século 17. Em uma igreja ainda em pé em Greifswald, no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, existe o túmulo de um Andreas Odebrecht. A data: 1686.


O pioneiro Emil Odebrecht

Emil nasceu em 1835 em uma família culta e próspera. Seu pai era juiz, e sua mãe vinha de uma linhagem huguenote (os protestantes franceses). Aos 21 anos, deixou a Prússia e seguiu para a colônia de Blumenau, em Santa Catarina. O local ainda era primitivo. Os colonos conviviam com doenças e ataques de índios. "Aqui parece que tudo parou no primeiro dia da Criação", escreveu o fundador Hermann Blumenau.

O jovem prussiano logo se tornaria um dos homens de confiança de Hermann. Em 1859, foi à Europa para estudar engenharia e cartografia na Universidade de Greifswald. Naturalizado brasileiro, regressou e ofereceu seus novos talentos para a expansão da colônia.

Projetou estradas, demarcou lotes e instalou linhas telegráficas. Deixou cartas em que se queixou das autoridades imperiais e manifestou sua desconfiança em relação aos brasileiros. Foi também voluntário da pátria na Guerra do Paraguai. Era amigo do naturalista Fritz Müller, que batizou uma espécie de caranguejo com o nome Aeglea Odebrechti em homenagem ao engenheiro.

Antes de partir para a guerra, se casou com uma imigrante de Hamburgo. Tiveram quinze filhos. Hoje, a descendência de Emil é estimada em mais de 1.300 pessoas. Em 2006, uma celebração em sua memória reuniu mais de 300 descendentes em Blumenau.

O ramo baiano

Vários netos de Emil se tornaram engenheiros, entre eles Emílio Baumgart, que foi responsável pelo projeto estrutural do hotel Copacabana Palace. Outro, Emílio Odebrecht, construiu uma ponte na zona rural de Blumenau. A estrutura foi levada por uma enchente, e os colonos exigiram indenização. Arruinado, deixou a região e se mudou para o Recife. Depois, seguiu para Salvador. Nascia assim o ramo baiano dos Odebrecht.

Em 1923, fundou a empresa Emílio Odebrecht e Cia. Era casado com a catarinense Hertha, que foi educada em uma rígida escola para futuras mães em Greifswald, fundada no início do século 19 por uma certa Johanna Odebrecht – a instituição ainda existe.

Em 1920, nasceu o filho do casal, Norberto, que em 1944 fundaria a Organização Odebrecht. A educação de Norberto ficou a cargo de um pastor luterano chamado Otto Arnold, que comandava a comunidade evangélica de Salvador. Nas aulas em alemão, o pastor repetia conceitos protestantes, como a "saúde moral é a base para a saúde material".

Quando a Organização Odebrecht completou 60 anos, em 2004, os princípios éticos passados por Arnold foram citados em vários textos elogiosos. No Senado, Romero Jucá (PMDB), um dos políticos mais implicados na Lava Jato, disse que Norberto "seguiu a tradição familiar germânica, em que o trabalho duro é o único caminho para a riqueza merecida".

Em um livro, Norberto disse que baseou a política empresarial da sua empresa nessa visão protestante e discorreu sobre a ideia de "Bildung" (formação, em alemão). Esses conceitos foram empacotados em um conjunto de princípios chamado "Tecnologia Empresarial Odebrecht". No texto, Norberto disse que a empresa "preserva o gosto e a consciência alemãs com relação à Filosofia".

A empreiteira

Mas antes da prosperidade veio a Segunda Guerra. A construtora de Emílio sofreu com a alta dos preços de materiais e se afundou em dívidas. Em 1941, Norberto, então com apenas 21 anos, assumiu os negócios do pai, que voltou para Blumenau. Passou os três anos seguintes concluindo as obras deixadas incompletas pelo pai. Em 1944, fundou sua própria empresa: a Construtora Norberto Odebrecht, a primeira empresa da Organização Odebrecht.

Em Salvador, Norberto encarnava o tipo alemão nos trópicos, sempre usando terno de linho branco. Era chamado de "doutor" pelos funcionários. Mas também se desviou da tradição familiar e se casou com uma católica sem laços com o país europeu.

Apesar da propaganda sobre ética protestante, "doutor Norberto" viu sua empresa decolar graças a um ator menos espiritual: o Estado. No final dos anos 1950, tirou vantagem do financiamento estatal que promoveu construções pelo Nordeste após a criação da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Também executou os primeiros projetos para a novata Petrobras, que concentrava suas atividades na Bahia. Ainda limitada ao Nordeste, a empresa ficou de fora de grandes obras nacionais do período, como Brasília.

A nacionalização das atividades só veio com o golpe militar de 1964, que impôs um regime ainda mais ávido por grandes obras. Os militares também proibiram em 1969 a atuação de empreiteiras estrangeiras, o que criou uma reserva de mercado para empresas como a Odebrecht.


Sede da Petrobras no Rio foi a primeira grande obra da Odebrecht no Sudeste

Segundo o historiador Pedro Campos, autor de um livro sobre as empreiteiras e o regime, o crescimento da Odebrecht nesse período caminhou com a expansão da Petrobras. "Quando a Petrobras começou a crescer, a Odebrecht foi junto", disse. Em 1969, Norberto recebeu do então presidente da petrolífera (e futuro presidente da República) Ernesto Geisel, outro descendente de alemães, a incumbência de construir a sede administrativa da Petrobras no Rio de Janeiro. Rapidamente a Odebrecht virou uma favorita dos militares e dos políticos alinhados com o regime.

Nos anos seguintes, Norberto conseguiu obras importantes, como o Aeroporto do Galeão e a usina nuclear Angra I. Isso mudou completamente o perfil da empreiteira. Entre 1969 e 1974, a Odebrecht pulou do 19º para o 3º lugar no ranking das construtoras nacionais.

Com o fim do "milagre" brasileiro e a paralisação de grandes obras no final dos anos 1970, a Odebrecht passou a se expandir para países como Peru, Chile, EUA e Angola. No Brasil, começou a comprar empresas de saneamento e polos químicos privatizados nos anos 1990 durante os governos Collor e FHC.

A liderança do grupo foi passando para os descendentes de Norberto, seguindo um rígido sistema de sucessão familiar. Cada membro recebia uma parte do negócio, mas apenas um de cada geração ficaria com o comando. Em 1991, Norberto passou a tocha para seu filho, Emílio Alves Odebrecht. Em 2008, foi a vez do neto, Marcelo.

Com o tempo, o ramo baiano foi se afastando dos menos bem-sucedidos parentes catarinenses, criando seus próprios costumes. Se reuniam regularmente em uma ilha particular no sul da Bahia. Lá, as gerações mais jovens assistiam a aulas de alemão, enquanto os mais velhos discutiam negócios.

A Era Lula

Após a saída dos militares do poder, a Odebrecht reformulou a sua rede de influência. Segundo Campos, a relação direta com os militares e ministros deu lugar a uma aproximação com congressistas e partidos.

Durante a devassa na companhia na Lava Jato, investigadores descobriram o setor de "operações estruturadas”, na prática um departamento de propinas para políticos e funcionários de estatais, que funcionava pelo menos desde o governo Sarney (1985-1990) e que se expandiu nas administrações seguintes, quando a Odebrecht começou a abocanhar estatais privatizadas.

Leia também: Delações da Odebrecht envolvem todos os ex-presidentes vivos

Norberto e Emílio também nunca adotaram o alarmismo de alguns empresários dos anos 1990 em relação ao esquerdista Lula. Emílio disse em um de seus depoimentos da Lava Jato que conheceu o petista em 1985. Citou ainda uma frase do general Golbery: "Lula não tem nada de esquerda. Ele é um bon vivant". Também apoiou a campanha do petista em 2002, organizando reuniões entre Lula e empresários.


Marcelo é levado pela Polícia Federal

A prosperidade da Odebrecht durante o regime militar quase foi obscurecida pela experimentada na Era Lula (2003-2010), quando o Estado retomou a prática de financiar grandes obras. Sob os petistas, o grupo viu o faturamento pular de 17,3 bilhões de reais em 2003 para 107,7 bilhões em 2014. Parte da expansão se deu graças a generosos empréstimos do BNDES e grandes obras para a Copa e as Olimpíadas. Ao mesmo tempo, segundo revelações da Lava Jato, a organização irrigava campanhas políticas do PT e de outros partidos, inclusive da oposição.

O sistema começou a ruir a partir de 2014, quando a Odebrecht caiu na mira da Lava Jato. Em 2015, Marcelo, então o nono homem mais rico do Brasil, foi preso. Acabou sendo condenado a 19 anos de prisão. À época, a Odebrecht empregava 175 mil funcionários em 25 países.

Norberto não chegou a ver o que aconteceu. Morreu aos 93 anos em julho de 2014, quando a Lava Jato ainda não havia alcançado o grupo. Obituários destacaram sua "veia empreendedora" e "disciplina germânica". Sua fortuna pessoal foi estimada em 10 bilhões de reais.

Na semana passada, os baianos da Odebrecht voltaram a cruzar com Blumenau. O atual prefeito da cidade apareceu na lista de Fachin como suspeito de ter recebido ilegalmente 500 mil reais da Odebrecht Ambiental durante a campanha de 2012. Segundo a delação de um executivo, os três principais candidatos naquele ano receberam o mesmo valor. Seria uma forma de garantir apoio à empresa, que detinha contratos milionários para operar o sistema de esgoto blumenauense.

Um jornal da cidade que foi construída com a ajuda do tataravô de Marcelo classificou o escândalo como "o maior caso de corrupção" da história de Blumenau.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Brasil e Alemanha lançam selo conjunto pelos 500 anos da Reforma Protestante

Em comemoração aos 500 anos do movimento protestante, entra em circulação simultaneamente nos dois países um selo com a efígie de Martinho Lutero, mentor da renovação da Igreja.


Selos em em homenagem a Martinho Lutero foram lançados simultaneamente na Alemanha e no Brasil


Nesta quinta-feira (13/04) as empresas de correios do Brasil e da Alemanha lançam simultaneamente um selo e um carimbo comemorativos dos 500 anos da Reforma Protestante.

Ambos os selos levam o retrato de Lutero e a frase "No princípio era a palavra", lema também dos festejos dos 500 anos, cujo ponto alto será em 31 de outubro. Neste dia, em 1517, o monge e professor de Teologia Martinho Lutero teria pregado suas 95 teses na porta de uma igreja de Wittenberg, iniciando o movimento de renovação da fé cristã.

O selo, produzido em parceria com o serviço postal da Alemanha, será quase igual nos dois países, diferenciando-se apenas no idioma. O selo brasileiro terá o valor facial de 4,15 reais e o da Alemanha, 0,70 euro, como um selo comum.


Correos do Brasil lançam carimbo postal comemorativo dos 500 anos da Reforma Luterana

A imagem é a mesma para as duas edições. O selo foi concebido pela designer Antonia Graschberger, de Munique, também responsável pelo carimbo, que estampa a Rosa de Lutero, símbolo usado pelo teólogo a partir de 1530, para autenticar suas cartas e obras.

Esta é a segunda vez que os Correios do Brasil prestam homenagem ao mentor da Reforma: em 1983 foi lançado um selo alusivo aos 500 anos do nascimento de Lutero. E é a nona vez que selos brasileiros focalizam a Alemanha. A última série, lançada de 2013, celebrou o Ano da Alemanha no Brasil.

O selo brasileiro entra em circulação nesta quinta-feira simultaneamente em seis cidades brasileiras: Brasília, Porto Alegre, Cândido Rondon, Porto Velho, Cuiabá e Curitiba. A embaixada da Alemanha na capital federal celebra a emissão conjunta em 17 de maio próximo.

Na Alemanha, o selo entra em circulação nacional também nesta quinta-feira. No início de abril já havia sido lançada no país uma moeda de prata de 20 euros em alusão ao Ano da Reforma.

Ao saudar o lançamento do selo, o pastor Egon Kopereck, presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil disse: "Brasil e Alemanha se uniram para testemunhar ao mundo que a Reforma Luterana foi um marco na história, que trouxe bênçãos para a sociedade em geral e, especialmente, para o mundo cristão."

quinta-feira, 6 de abril de 2017

EUA informam que lançaram 50 mísseis Tomahawk sobre base aérea militar síria próximo à Homs

RT


FOTO DO ARQUIVO © Carlos M. Vazquez / Reuters


Cerca de 50 mísseis de cruzeiros Tomahawk dos EUA teriam sido lançados em um aeródromo militar sírio perto da cidade ocidental de Homs, informaram a NBC e a Reuters, citando autoridades militares dos EUA.


Navios dos EUA estacionados no Mar Mediterrâneo teriam lançado a greve na base aérea da Síria, Shayrat, na noite de quinta-feira, hora local.

A NBC News informou que não havia nenhuma palavra sobre as vítimas e que ninguém teria sido alvo de ataques. As forças russas foram avisadas com antecedência.

O aeródromo teria sido apontado depois que os EUA culparam os militares sírios pelo incidente químico em Idlib, no qual dezenas de civis morreram devido a suspeita de intoxicação por gás no território ocupado pelos rebeldes. Até 86 pessoas, incluindo 26 crianças, alegadamente foram mortas. Vários estados ocidentais imediatamente criticaram as forças do presidente Bashar Assad, enquanto a Rússia disse que os jatos sírios bombardearam um depósito onde estavam sendo produzidas armas químicas.

domingo, 26 de março de 2017

Redação do Site Inovação Tecnológica


"Com uma impressora 3D sem as restrições de uma moldura definida ou uma caixa, as impressões podem tornar-se tão altas quanto ela possa ser suspensa, ao mesmo tempo em que a área de impressão horizontal é livre," disse Linnea Dimitriou, que teve a ideia de imprimir a Torre de Babel.[Imagem: Linnéa Therese Dimitrou]


Torre de Babel sem confusão

As impressoras 3D vêm sendo saudadas como a tecnologia viabilizadora de uma nova revolução industrial - a revolução das máquinas livres - mas poucos achavam que elas permitiriam construir algo que a humanidade não foi capaz.

Engenheiros da Universidade de Umea, na Suécia, construíram uma impressora 3D especial que trabalha suspensa por linhas de pesca, o que permite que ela vá sendo elevada automaticamente conforme constrói estruturas virtualmente sem limites de dimensões.

E o primeiro trabalho da demonstração da HangPrinter - impressora suspensa, em tradução livre - foi construir uma Torre de Babel, algo que o homem não foi capaz de fazer dependendo apenas de suas próprias capacidades.

"Tanto quanto eu saiba, a HangPrinter é a única impressora 3D do seu tipo. Existem robôs paralelos acionados por cabo e outras impressoras 3D a cabo, mas a HangPrinter é única porque todas as suas partes, exceto a fonte de energia, estão montadas no dispositivo móvel, e ela pode usar estruturas existentes - neste caso as paredes - como um quadro de apoio," disse o professor Torbjorn Ludvigsen, inventor do equipamento.

Hardware aberto

O uso de apoios já existentes é interessante porque, de acordo com Ludvigsen, o quadro de suporte representa quase metade do custo de uma impressora 3D.

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domingo, 19 de março de 2017

Portugal: Evangélicos perderam quase 700 igrejas desde o ano 2000

DN




Apesar de terem nascido 300 novos templos, o número de igrejas evangélicas em Portugal baixou de 1630 no ano 2000 para 964 em 2016. Os dados constam de um levantamento efetuado pela Aliança Evangélica Portuguesa, em que se concluiu que a saída de muitos imigrantes, sobretudo brasileiros, é a principal razão

A comunidade evangélica portuguesa está a perder igrejas no país. Entre os anos 2000 e 2016, o número de templos evangélicos diminuiu de 1630 para 964, de acordo com um levantamento realizado pela Aliança Evangélica Portuguesa, organização que agrupa a maioria das comunidades evangélicas em Portugal. E falamos de mais de 700, muitas delas com um grupo de fiéis reduzido, a rondar as 40 pessoas. Uma das explicações para esta redução é a saída do país de muitos imigrantes, sobretudo brasileiros, nos últimos anos, o que levou ao fim da muitas igrejas.

Apesar de o número de templos ser mais reduzido, no mesmo período foram abertas 322 novas igrejas, com alguns casos a serem de fusões. Em média cada igreja faz cinco batismo por ano. Lisboa, Porto e Setúbal concentram a maioria das comunidades evangélicas portuguesas, em que a média é de 49 membros por igreja. Além da redução de locais religiosos, os evangélicos concluíram que a participação nos cultos semanais é diminuta. Dos mais de 150 mil evangélicos estimados menos de um terço participa regularmente nas orações nos templos.

"Quando falamos de 2000 igrejas com portas abertas ao público é preciso ver o contexto. Muitas dessas igrejas eram pequenos espaços, algumas delas em garagens, por vezes formadas por um imigrante que chegava e queria ter cá um culto semelhante ao que já conhecia e reunia um grupo de pessoas para abrir uma igreja. Muitas estavam abertas dois ou três anos e depois fechavam", disse ao DN António Calaim, presidente da Aliança Evangélica Portuguesa. "Muitas dessas garagens deram lugar a um único espaço, com melhores condições", aponta o médico de 60 anos, com o reconhecimento que "não há dúvida que há menos igrejas".

António Calaim aponta também que há agora alguma estabilização. "Nas décadas de 1980 e 1990 houve um boom, com a chegada de pessoas das antigas colónias [Cabo Verde tem muitos evangélicos] e com a entrada de muitos imigrantes, os brasileiros mas não só. A partir do ano 2000 iniciou-se a redução." Outro fator a ter em conta, segundo a Aliança, é o "forte movimento de secularização que a sociedade portuguesa vive nas últimas décadas."

A saída dos brasileiros

Do Brasil, nação com grande número de igrejas evangélicas (mais de um terço do total religioso do país) chegaram muitos pastores e fiéis. Mas, antes do Campeonato do Mundo de Futebol de 2014, muitos deixaram Portugal. A Casa do Brasil estimava em 2014 que teriam regressado mais de dez mil, o que teve um impacto grande na comunidade evangélica portuguesa.

A Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), que existe desde 1921, com estatuto legal desde 1935, é a organização reconhecida pelo Estado que congrega as igrejas evangélicas. Não todas. "Nunca aceitamos a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a Igreja Maná e mais meia dúzia. Para fazer parte as igrejas têm de se rever na declaração de fé da Aliança, além de outras regras. Essas igrejas não correspondem aos nossos princípios", justifica. O líder dos evangélicos também esclarece que este levantamento foi efetuado por membros da AEP e não pretende ser um trabalho científico "Foi realizado nas igrejas filiadas, e até poderão ter faltado algumas, através de telefonemas e e-mails. É uma forma de termos uma melhor ideia da situação", diz.

"Quando se decidiu fazer o levantamento, já eram conhecidos dados do Instituto Nacional de Estatística sobre a religião em Portugal que indicavam a existência de 3% de cristãos não católicos. A Universidade Católica também fez um estudo que apontava que a percentagem de evangélicos seria de 2,5%. Mas estas estatísticas incluem sempre a IURD, a Maná e outras igrejas que não fazem parte da Aliança Evangélica."

António Calaim dá o exemplo da sua Igreja Evangélica de Sintra, em Mem Martins, que "chegou a ter quatro espaços diferentes, depois passou a ter um e agora até tem três", com a curiosidade de um deles ser disponibilizado ao sábado a um grupo de ucranianos evangélicos e aos domingos a uma igreja adventista, que "pode parecer estranho mas não tem ligação com os evangélicos".

Mais preocupante e "motivo de tristeza" para António Calaim é a pouca frequência dos cultos. O levantamento efetuado conclui que só uma em cada quatro pessoas evangélicas é frequentadora regular das igrejas.

"Estamos a passar por aquilo que a Igreja Católica já viveu. Achávamos que iam todos ao culto aos domingos mas não é verdade. Hoje sabemos que há pessoas que são evangélicas para quem já não é tão importante a presença semanal nas igrejas. Nos católicos também se calcula que só 8% vai às missas ao domingo."

Lisboa, Porto e Setúbal têm as maiores concentrações - sete em cada dez vive nestes distritos. A média de membros de uma igreja evangélica no país é de 49. Nas cidades o número é geralmente superior a 50, enquanto nas áreas rurais (Guarda e Vila Real) a média é inferior a 20. O estudo da Aliança Evangélica Portuguesa diz que em algumas regiões a igreja é quase "invisível".

As igrejas evangélicas ainda têm uma grande dependência de recursos estrangeiros, sejam humanos ou financeiros, apesar de concluir que 66% dos pastores nasceram em Portugal. Mas o facto de mais de 100 pastores serem estrangeiros , em especial brasileiros (mas também norte-americanos, ingleses e outros), criou-se a ideia de que as igrejas evangélicas eram, por vezes, mais dirigidas as estrangeiros e que o formato dos cultos era direcionado para esses imigrantes e não para portugueses. Algo que a AEP crê não corresponder à realidade.

A idade média dos pastores evangélicos é alta, com 24% a ter mais de 60 anos e 18% com idade inferior a 40 anos, levando a AEP a preparar-se "para formar uma nova geração de líderes evangélicos".

No mesmo estudo, que foi divulgado apenas pelo site internacional Evangelical Focus, aponta-se como caminho para as missões o território muçulmano. Sugere oportunidade de trabalhar com a comunidade muçulmana "devido à posição geográfica estratégica de nosso país". Atualmente há missionários em Marrocos, Timor-Leste e Espanha. Argélia e Líbano são também países onde os missionários evangélicos, que não devem ser mais de 50, têm contactos.

António Calaim admite que os evangélicos ainda são vítimas de preconceitos na sociedade. "Nem nos sabem identificar e confundem-nos com Testemunhas de Jeová e mórmones, que não têm nada que ver com as igrejas evangélicas. Depois, fenómenos como a IURD também não ajudaram."

Mas no final dos anos 1990 houve também momentos positivos em termos mediáticos, como o surgimento da editora de música Flor Caveira, dinamizada pelo músico e pastor evangelista Tiago Gillul e que lançou nomes como B. Fachada e Samuel Úria.

A maior minoria religiosa

"Somos a maior comunidade em termos de minorias religiosas", aponta António Calaim, realçando ainda o trabalho que têm efetuado e o reconhecimento que o Estado português tem dado. Com a dinâmica de crescimento dos anos 1990, a AEP lutou pelo reconhecimento da comunidade.

A Lei da Liberdade Religiosa em 2001 veio de encontro a essas pretensões e hoje os evangélicos participam nas aulas de Religião e Moral das escolas públicas. "Estamos reconhecidos pelo Ministério da Educação e chegamos a milhares de alunos", assegura o presidente da AEP, associação que refere no seu site ter "306 turmas a funcionar em 241 escolas públicas da disciplina de Educação Moral e Religiosa Evangélica abrangendo um universo de 2000 alunos".

Nas prisões e hospitais também há evangélicos a prestar assistência religiosa aos crentes. Ainda recentemente, salienta António Calaim, a sua comunidade evangélica associou-se a uma paróquia católica para acolher refugiados.

sábado, 18 de março de 2017

EUA: Ativistas ateus querem censurar cristãos e proibir orações no exército

A organização “Freedom From Religion”, um grupo organizado por ativistas ateus, decidiu entrar com uma representação judicial para tentar censurar cristãos e proibir orações no exército dos Estados Unidos.


A ação foi comunicada a um comandante da Base da Guarda Nacional da Aeronáutica americana, através de um comunicado alegando que orações e leitura da bíblia feita por capelães militares ferem a liberdade das “minorias religiosas” e de ateus militares.

“Um oficial preocupado informou à ‘FFRF’ que as cerimônias na Base Aérea da Guarda Nacional de Pease, regularmente têm capelães fazendo orações. Estas incluem leituras da Bíblia e referências a um deus cristão. A presença nessas cerimônias é obrigatória para todos os guardas”, disse um trecho do comunicado, citando a Primeira Emenda americana como justificativa:

“A ‘FFRF’ lembra a Base Aérea Nacional que tais cerimônias são ilegais ao abrigo da Cláusula de Estabelecimento da Primeira Emenda”.

Semelhante a Constituição brasileira no seu artigo 5º, a Primeira Emenda americana prevê a garantia da liberdade individual de consciência e crença, incluindo, obviamente, o que seria uma “não crença”, no caso, o ateísmo.

O que os ativistas ateus alegam, no entanto, é que militares cristão estão utilizando um órgão governamental (exército) para reforçar a religião cristã, desrespeitando, assim, os direitos de não cristãos e ateus. Foi com essa perspectiva que Sam Grover, advogado da “FFRF”, escreveu para o setor jurídico da base militar, como segue:

“Os tribunais federais têm afirmado que a programação de orações ou outros exercícios religiosos em reuniões obrigatórias para funcionários do governo constitui o endosso ilegal governo da religião. Orações em eventos militares também parecem observações razoáveis ??para endossar a religião em detrimento da não-religião. Este é exatamente o tipo de endosso que é proibido pela Constituição e também cria um ambiente de trabalho hostil para minorias religiosas e aos oficiais não-religiosos”.
Confusão entre liberdade religiosa e Estado laico

Os argumentos dos ativistas ateus, ao que parece, estão baseados em algo parecido também no Brasil; que é a confusão do que significa Estado laico e liberdade religiosa.

Legalmente, um Estado laico não proíbe a manifestação de crença dos indivíduos, mesmo quando isso ocorre nas dependências do governo, o que vale também para os ateus e outras minorias religiosas, por exemplo, no direito que possuem de não participar de qualquer atividade organizada por cristãos com finalidade religiosa.

A liberdade religiosa é também um direito que vale nas dependências do governo, pois, do contrário, a restrição de culto e expressão religiosa nesses espaços deixaria de ser, por definição, um Estado laico, para ser um Estado ateu. É com base nisso que a Aliança de Capelães pela Liberdade Religiosa americana orientou o Comandante da Base da Guarda Nacional, em nome dos capelães, afirmando que não há qualquer ilegalidade dos cristãos fazerem orações e leituras bíblicas na base militar:

“Em nome da Aliança dos Capelães, escrevemos para enfatizar que não há exigência legal para você ceder às demandas da ‘FFRF’. Suas demandas [da FFRF] parecem basear-se na noção errada de que os capelães militares não podem fazer orações, o que é uma de suas funções. A posição e o argumento legal da ‘FFRF’ estão incorretos. A lei federal, as regulamentações militares e os precedentes da corte desmentem as alegações especulativas da ‘FFRF’. Os capelães uniformizados são claramente permitidos, de fato protegidos, no direito de fazerem orações dentro de suas funções militares”, disse o documento, segundo informações do Charisma News.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Descoberta estátua de oito metros de Ramsés II


Descoberta uma estátua de oito metros de Ramsés II




Obra foi encontrada perto do templo do faraó, na parte este do Cairo

Arqueólogos alemães e egípcios encontraram o que acreditam ser uma estátua de oito metros do faraó Ramsés II, que governou o Egito há mais de 3000 anos. O achado foi feito numa zona pobre do Cairo, debaixo de água.

A descoberta foi considerada pelo ministro das Antiguidades, Khaled al-Anani, como uma das mais importantes de sempre. "Ligaram-me na última terça-feira para anunciar a grande descoberta de um colosso, muito provavelmente de Ramsés II, feito de quartzito", disse.

James Ussher, bispo irlandês mais conhecido por ter calculado a data da criação do mundo como a noite que antecedeu o dia 23 de outubro de 4004 a.C.,[3] baseado em dados dos historiadores gregos antigos e da Bíblia, propõe que o faraó do Êxodo era Amenófis, filho de Ramsés II. Segundo Ussher, Ramsés II foi deificado como Netuno, e era o faraó que não conhecida José. Amenófis, identificado com Belo, tornou-se faraó com a morte do pai, em 1511 a.C., reinou por dezenove anos e seis meses, morreu afogado no Mar Vermelho no dia 11 de maio de 1491 a.C. e foi sucedido por seu irmão Busíris e, mais tarde, por seus filhos Sethosis e Harmais.Tutmés III é o provável faraó do exôdo (Egito e Dánao). (Wikipedia)

A estátua foi encontrada perto das ruínas do templo de Ramsés II, na antiga cidade de Heliópolis, localizada na parte este do Cairo. O faraó, também conhecido por Ozymandias ou Ramsés O Grande, governou durante 66 anos, de 1278 AC até 1213 AC, diz o The Guardian.

Foi o terceiro faraó da 19.ª dinastia egípcia e expandiu o império até à Síria, no este, até ao que é agora a parte norte do Sudão, a Sul.

"Encontrámos o busto da estátua e parte de baixo da cabeça. Ao remover a cabeça encontrámos a coroa e a orelha direita, juntamente com um pedaço do olho direito", acrescentou al-Anani.

A expedição conjunta entre alemães e egípcios encontrou também a parte superior de uma estátua de tamanho real, feita de calcário, do faraó Seti II, neto de Ramsés II, com cerca de 80 centímetros.

Ramsés II construiu o templo do sol em Heliópolis, o que ajuda a credibilizar a descoberta, afirmam os arqueólogos.

De acordo com Dietrich Raue, líder da expedição alemã, os egípcios acreditavam que Heliópolis era a casa do Deus Sol. "O Deus Sol criou o mundo em Heliópolis", afirmou, explicando as crenças dos antigos egípcios.

"Isso significa que tudo teria de ser construído aqui. Estátuas, templos, tudo. Mas o faraó nunca viveu perto do local, porque era a morada do Deus Sol", acrescentou.

A descoberta pode ser bastante positiva para a indústria do turismo no Egito, que tem sofrido uma queda. Por exemplo, o número de turistas caiu de 14.7 milhões, em 2010, para 9.8, em 2011. Uma das razões foi o aumento da instabilidade política que levou à queda de Hosni Mubarak, em 2011, e que continuou depois da transição, outra o aumento do número de atentados terroristas. Mesmo assim, o turismo continua a ser uma fonte vital de dinheiro estrangeiro.

sábado, 11 de março de 2017

Cerca de 40% das mulheres vítimas de violência doméstica são cristãs

Omissão pastoral foi indicada como um dos fatores responsáveis pelo problema


por Jarbas Aragão
40% das mulheres vítimas de violência doméstica são cristãs

Uma pesquisa realizada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, indica que cerca de 40% das mulheres que relataram ter sofrido violência doméstica foram de evangélicas. O assunto foi debatido no programa De Tudo Um Pouco, da Rede Super, esta semana. Falaram sobre o assunto o pastor Renato Vieira Matildes e o advogado Antônio Cintra Schmidt.


Os dados apresentados foram coletados de ONGs que ajudam mulheres agredidas. “Não esperávamos encontrar, no nosso campo de pesquisa, quase 40% das atendidas declarando-se evangélicas”, ressalta o documento. Estranhamente, muitas vezes as vítimas não procuraram imediatamente as autoridades.

“A violência do agressor é combatida pelo ‘poder’ da oração. As ‘fraquezas’ de seus maridos são entendidas como ‘investidas do demônio’ então a denúncia de seus companheiros agressores as leva a sentir culpa por, no seu modo de entender, estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus”, esclarecem as pesquisadoras.

O pastor Renato admite que os números são preocupantes. Também chama atenção que a omissão pastoral seja apontada como uma das causas desse índice elevado. Ele lamentou que muitas vezes a opção dos líderes é dizer: “Olha, vá embora que nós vamos orar e Deus vai fazer a obra”.

Segundo o material divulgado pelo Mackenzie, “O que era um dever, o da denúncia para fazer uso de seu direito de não sofrer violência, passa a ser entendido como uma fraqueza, ou falta de fé na provisão e promessa divina de conversão-transformação de seu cônjuge”.

O convidado do programa lamentou que muitos pastores, ao invés de orientar de forma prática os casais, por vezes acabam colocando barreiras.

Para o advogado presente no De Tudo Um Pouco, uma parcela da responsabilidade recai sobre as próprias mulheres agredidas. Isso por que que muitas delas têm medo ou vergonha de expor o contexto familiar onde estão inseridas. Segundo Cintra, quando as agressões são constantes, mas não são compartilhadas com outras pessoas acaba inviabilizando e retardando as ações judiciais cabíveis.

Sublinhou ainda que “às vezes não é ela quem expõe. Um vizinho, por exemplo, vê uma agressão e pode fazer a denúncia. Feita a denúncia, a polícia vem e dali para a frente não tem mais como parar o processo”.

A Lei Maria da Penha, que visa garantir a segurança feminina e punir os agressores é considerada pela ONU uma das três leis que dão maior proteção às mulheres em todo mundo. Ela fala sobre vários tipos de violência: física, psicológica, sexual e patrimonial. Mesmo assim, ainda carece de ser efetivamente aplicada pelos órgãos públicos na maioria das cidades.

MEC está impondo uma religião satanista nas escolas públicas do país, diz psicóloga




A psicóloga cristã Marisa Lobo, uma das mais bem conceituadas do País, comentou durante entrevista concedida ao JM Notícia nesta quinta-feira, 9, acerca da distribuição do livro “A Máquina de Brincar” do autor Paulo Bentancur em escolas públicas, pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). O material paradidático vem causando polêmica e dividindo opiniões de pais, políticos e seguimentos religiosos, por supostamente abordar “conteúdo que faz apologia ao diabo”.

O Livro foi distribuído nas escolas públicas de Goiânia e gerou polêmica na Câmara de Vereadores, durante sessão desta semana. O tema foi levado a público pelo vereador Rogério Cruz (PRB) que apresentou requerimento assinado por 35 vereadores pedindo ao ministro da Educação, José Mendonça Filho, esclarecimentos sobre a adoção do livro “A Máquina de Brincar”. Segundo o parlamentar, a obra faz “um culto a Satanás e debocha de Deus”. Eles também apresentaram uma nota de repúdio.

DESCONSTRUÇÃO

Marisa Lobo informou também sobre o conteúdo do livro: “embora eles tentem passar que é uma brincadeira, quando fazem essa invocação aos demônios, na verdade têm a clara intenção de desconstruir a fé em Deus, das crianças. Ele é feito para que as crianças vejam o diabo como uma pessoa boa, isso com a meta de desconstruir a fé em Deus que elas têm”, analisou.

“Então é uma luta de desconstrução da criança e da religião da sua fé para que ela crie conflitos dentro de casa. É um gerador de conflitos, e conflitos psicológicos também. Por quê? Porque as crianças aprendem sobre Deus, sobre fé, sobre religião, ainda mais Goiânia, que é uma cidade religiosa, que a maioria das pessoas tem fé cristã evangélica ou católica, e essas crianças que estão na escola”.

Para Marisa Lobo em sua entrevista ao JM Notícia, a ideia do MEC é a desconstrução social, sexual e de valores:

“Se forem ver em sala de aula, a grande maioria tem religião e tem fé em Deus, e aprenderam isso com a família. Então a ideia do MEC, desde a entrada do PT e sua permanência no poder, nos últimos 14 anos, é a desconstrução social, sexual, de valores. Para que isso seja atendido, tem que destruir a fé das crianças, porque destruindo a fé, destrói o poder superior, que é o controle social da própria criança”, disse.

De acordo com Marisa Lobo, a ideia é destruir a fé e posteriormente, usar outros artifícios.

“Destruindo a fé você entra com outros artifícios como a ideologia de gênero, por exemplo, com a questão da sexualidade antecipada, e com outras questões desfazendo a moral, porque primeiro tem que desfazer o princípio religioso da criança. E com isso, cria-se outros conflitos, que é o conflito coletivo, psicológico; isso cria uma histeria coletiva, gerando conflito pessoal, familiar, que eu creio que seja a intenção, e ninguém tem o direito de mexer na fé da criança que é sagrada, pois todas as vezes que se mexe com a espiritualidade da criança, gera uma histeria”, criticou.

Marisa afirmou ainda que “o MEC faz campanha para não se falar em religião dentro da sala de aula, mas aí eles falam do diabo que é uma religião satanista”.

RELIGÃO SATANISTA

Para Marisa Lobo, o MEC está impondo uma religião satanista nas escolas públicas do país:

“Então eles estão impondo uma religião satanista, não é um mito, como eles falam que Deus é um mito. Quem é a escola para dizer para à criança que Deus é mito, que Deus é ruim? Quem está colocando esses valores? Quem está escolhendo esse livro, que é um livro particular colocado como material paradidático dentro das escolas? Quem está fazendo isso? São pessoas que têm a clara intenção de participar dessa engenharia social que trará mudanças de paradigmas e de cultura para forçar a quebra da religião”, afirmou.

Ao JM Noticia, Marisa lembrou que o livro “A Máquina de Brincar”, do autor Paulo Bentancur, já existe nas escolas há mais de 4 anos, como existem outros livros como o que trata do kit bruxaria, no Mato Grosso, onde um vereador questionou o conteúdo do livro que ensina as crianças a fazerem bruxaria e fala de Deus como um ser mitológico e mal e o diabo como bonzinho:

“Isso é uma mudança de quebra de paradigmas, mudanças de cultura, isso é uma doutrinação satanista. O Satanismo acredita em Deus, mas o odeiam, e odeiam porque eles acham que o diabo é um coitadinho que foi expulso do paraíso. Eles querem destruir as raízes históricas de Deus, todas as pessoas que acreditam em Deus, têm que se levantar contra isso. Isso é a destruição da cultura brasileira, da religião. Como eles não podem fazer isso com os adultos, porque já tem uma fé formada, eles fazem isso com as crianças. Quem escolhe esses livros é cruel, porque escolheu para desconstruir a fé das crianças e aquilo que elas aprendem em casa”, finalizou.

Entenda

Após a distribuição do livro em escolas públicas de Goiânia, o assunto foi parar no parlamento municipal da cidade. O vereador Rogério Cruz (PRB) subiu à tribuna nessa terça-feira, 7, para apresentar requerimento assinado por 35 vereadores que pede ao ministro da Educação, José Mendonça Filho, que apresente esclarecimentos sobre a adoção do livro “A Máquina de Brincar” de Paulo Bentancur. Segundo ele, a obra faz “um culto a Satanás e debocha de Deus”. Eles também apresentaram uma nota de repúdio.

“O livro é dividido em duas partes: para ler no claro e para ler no escuro. É composto de vinte e cinco poemas onde o autor indica que são para curtir na primeira parte e bater os dentes atemorizados na segunda”, explica ele. “Também indica a leitura de páginas no escuro, páginas essas na cor preta com letras cor vermelho sangue onde fala de bruxas, fantasmas, e faz um verdadeiro culto a satanás e debocha de Deus”, prossegue.

Na opinião do parlamentar, o livro pode “assustar e traumatizar” as crianças, porque conteria ilustrações e textos inadequados. “Não é um material próprio para criança, pois tem ensinamentos de invocação ao diabo, tratando-se, na verdade, de um livro de terror e não se mostra de cunho pedagógico”, pontua o vereador.

Fonte: JM Notícia

Papa Francisco admite questionar a existência de Deus em "momentos vazios"

"Momentos vazios": o Papa Francisco já questionou sobre a existência de Deus e se considera um "pecador"


Papa Francis © Tony Gentile / Reuters

O Papa Francis falou sobre sua experiência em questões de crises de fé e se abriu sobre "momentos vazios", ao mesmo tempo que enfatizou que ele é "pecador" e "falível", em entrevista a um jornal alemão.

Quando perguntado pelo jornal alemão Die Zeit se ele alguma vez duvidou da existência de Deus, o pontífice disse: "Eu também conheço esses momentos vazios".

Ele afirmou, no entanto, que há um forro de prata nesses momentos, observando que "as crises também proporcionam uma oportunidade para crescer" e que qualquer fé que não enfrenta crises "permanece infantil".

Francis passou a afirmar que não se considera especial, enfatizando que ele é um crente normal e um "pecador" como todo mundo.

"Não devemos esquecer que qualquer forma de idealização de um ser humano sempre traz uma marca subliminar de agressão com ela também. Se eu sou idealizado eu me sinto sob ataque" , disse ele.


"Não me vejo como algo especial ... sou um pecador, sou falível", continuou o pontífice de 80 anos.


Ele continuou a advertir contra os perigos do populismo, chamando-o de "mal".


"O populismo é mau e acaba mal, como foi demonstrado pelo século passado" , disse ele.


Ele observou que o populismo sempre exigiu uma figura "messias" para ter sucesso, sugerindo que é incompatível com os valores cristãos.


Os comentários foram feitos durante a primeira grande entrevista do Papa Francis com um jornal alemão. A entrevista ocorreu no final de fevereiro , mas foi publicada na quinta-feira.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Pista de aeroporto novo em Natal já corre risco de 'afundar'

Valor Econômico

Por Daniel Rittner


Pista do aeroporto em Natal quando ainda estava em obras: com problemas graves, será fechada para reforma estrutural

A uma semana do leilão de mais quatro concessões, o governo recebeu uma notícia surpreendente: a pista do novo aeroporto de Natal está com problemas graves em sua base e deverá ser fechada em breve para uma reforma estrutural. Na prática, ela corre o risco de "afundar" se a falha não for corrigida, conforme relataram técnicos da Inframérica a autoridades do setor.

O detalhe é que a pista foi inaugurada oficialmente pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff menos de três anos atrás. Era uma espécie de xodó do Batalhão de Engenharia do Exército (BEC), que tocou a construção como obra pública, com recursos transferidos do caixa da Infraero. A Inframérica arrematou a concessão do aeroporto até 2039 e ficou incumbida de erguer o terminal de passageiros.

Mais do que um fato isolado, o episódio foi interpretado por fontes da iniciativa privada como demonstração dos riscos envolvidos nas concessões de infraestrutura. A reforma da pista, se for aprovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), terá que ser bancada pela própria concessionária. Ela não tem garantia nenhuma de que será ressarcida pelo custo da obra ou por eventuais restrições operacionais.


Enquanto durar a reforma, que deve consumir alguns meses, pousos e decolagens serão feitos pela pista de taxiamento dos aeronaves. Trata-se, no entanto, de uma pista sem o mesmo balizamento e que não permite operações noturnas. Com isso, haveria menos voos de e para Natal.

Mais quatro aeroportos - Fortaleza, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis - serão leiloados na quinta-feira da semana que vem. O caso de Natal é visto, pelas poucas pessoas com conhecimento do assunto em Brasília, como uma evidência de que ainda há um excesso de "riscos não gerenciáveis" nas concessões.

A pista do Aeroporto Internacional Aluízio Alves, que se situa no município de São Gonçalo do Amarante (RN) e tem três mil metros de extensão, está habilitada a receber até os aviões A380 da Airbus. Ela foi entregue em dezembro de 2013 e a cerimônia oficial de inauguração do aeroporto ocorreu em abril de 2014.

Em 2011, ao inspecionar os trabalhos executados pelos militares e assinar o contrato de concessão com a Inframérica, Dilma enalteceu o braço de construção do Exército e agradeceu o general que chefiava a unidade por "esta grande obra". "Hoje nós sabemos que São Gonçalo é um dos melhores aeroportos do Brasil, em termos de tamanho da pista e qualidade da pista", discursou.

No ano passado, a Inframérica pediu reequilíbrio econômico do contrato por causa da frustração na demanda. O pedido foi negado pela Anac. Hoje o aeroporto tem movimentação cerca de 40% inferior à projetada pelos estudos oficiais de quando foi concedido.

Não é exatamente o cenário descrito por Dilma em sua visita ao aeroporto. Ela fez uma comparação entre o desempenho da economia nacional e o de países que eram "objeto de desejo de muitos brasileiros". "Está acontecendo o seguinte: por exemplo, na Espanha, um aumento desenfreado do desemprego; na Europa, aumento desenfreado do desemprego; nos Estados Unidos, um aumento desenfreado do desemprego. Este país, diante dessa crise, tem todas as condições de continuar crescendo. Nós amadurecemos, somos um país que sabemos crescer, manter a estabilidade, não sair por aí, feito loucos, se endividando lá fora."

Procurada, a Inframérica disse apenas que a pista do aeroporto atende aos requisitos de segurança operacional e às normas da Anac. Em nota enviada ao Valor, a agência ressaltou que não há comprometimento à segurança das operações. "Por se tratar de um aeródromo certificado, a operadora do aeroporto possui um sistema de manutenção e deve garantir que a segurança das operações sejam mantidas", afirmou.

"No contrato de concessão não há a previsão de aprovação para a realização de obras, mas tão somente a análise e aprovação dos projetos das obras (que não foram apresentados à Anac). Além disso, até o momento, a concessionária não apresentou nenhum pleito de reequilíbrio econômico-financeiro sobre essa obra, com as informações para que seja analisado."
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