terça-feira, 2 de março de 2010

Fé e Prática

 


O sertanejo, embora assim pareça, não é um só. Entre os sertanejos há diversos grupos, uns nobres e outros nem tão nobres assim. Há o vaqueiro, pastor de gado grande e miúdo; o tropeiro, navegante da caatinga na condução de víveres; o cangaceiro, justiceiro implacável; e o jagunço assassino por natureza. Há um tipo boa vida, o fazendeiro. Sem qualquer arrodeios e arreios, é natural pensar como tipos díspares, fartos do ecletismo de característica, podem figurar um só tipo de homem, como dito, o sertanejo. Esta verossimilhança sobrevém por um fator duplamente interligado, a imensidão do sertão e a ínsita necessidade de sobrevivência. O que os une é a raridade da vida no semi-árido, a odisséia de luta pela água, seu alvará de vida e pertinácia.

Em uma odisséia semelhante, os batistas são um resultado da luta pela Bíblia como sua regra de fé e prática, confiam piamente que este princípio é uma das características capitais do cristão do primeiro século. Os bereianos destacaram-se na Macedônia dos tessalonicenses porque além de receberem a palavra com toda avidez, examinavam nas Escrituras para verem nas Escrituras se as coisas pregadas pelo apóstolo Paulo eram de fato assim. Como tantos outros, aceitavam a Escritura como inspirada por Deus e útil para o ensino, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra porque homens santos de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo (At 17.11; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21). Em menor grau está a luta do sertanejo, em maior grau a luta do verdadeiro cristão que a história chamou-o de batista. Seja a peleja pela Água da Vida e pela água da sobrevivência constituíram-se em uma história de resistência e liberdade. 

A semelhança da gênese sertaneja, a identificação de um batista transporta consigo uma variante genealógica comungante da mesma odisséia de tipos ecléticos, alguns nobres, mas outros nem tão nobres assim que fazem o cristão genuíno e o batista parecerem um só. Em Alexandria, Orígenes recomendava a leitura da Bíblia em casa. Na Palestina, Eusébio de Cesaréia insistia para que os novos crentes familiarizassem com as Escrituras. 

Já no século IV, devido à carência de educação entre os latinos e a ausência de traduções nas línguas bárbaras, a leitura da Palavra estreitou e abriu um largo caminho para a tradição que, no decorrer do tempo, adquiriu mais e mais autoridade de supremacia. Alguns escritos digladiavam para colocarem-se no mesmo pedestal das Escrituras. Os concílios da igreja e os decretos do Bispo de Roma adquiriram cada vez mais autoridade, o Cristianismo tornou-se sertão e a primazia das Escrituras um semi-árido. Asa branca bateu asas e voou.

Analogamente ao sertanejo, nos tipos do vaqueiro, do tropeiro, do cangaceiro, do jagunço e dos fazendeiros, pela falta d’água e evasão do gado, diversos grupos cristãos: os novacianos anti-hierarquistas do III século; os donatistas espiritualistas do IV século; e os cátaros do XII século. 

Os nobres petrobrussianos no Sul da França, 1106 d.C., defendiam que as Escrituras são a única autoridade e não a tradição, os seguidores de Pedro de Bruys defendiam também que a verdadeira igreja é composta por membros regenerados, quer dizer, nascidos de novo, repudiavam a missa e as orações pelos mortos e símbolos ressignificados em edifícios, cruzes e cânticos de hinos eram idólatras.

Os valdenses “boa-vida”, motivados em Mateus 19.21, abandonaram tudo, e junto com Pedro Valdo, saíram pregando em Lião, 1150 d.C., e além que devemos obedecer às Escrituras e não ao Papa, que a missa, o purgatório e a confissão aos pés do vigário não têm fundamento bíblico, que as indulgências para pagar pecados deviam ser rejeitadas, que os leigos devem ter o direito e pregar, que os juramentos devem ser proibidos e que a mentira constituía-se em um pecado mortal.

Infelizmente, como a seca que dirime a vida e seca além do solo a alma, Roma, em 1229, proibiu aos leigos a leitura vernácula da Bíblia. Ter a Palavra na própria língua tornou-se um crime.

Os lolardos, no mesmo ímpeto daqueles, seguindo o inglês João Wycliff a partir de 1375, defenderam a interpretação literal da Escrituras, opuseram-se ao monasticismo e a transubstanciação, defenderam a nacionalização da igreja, até então imperial, e que as Escrituras deviam ser apresentadas na língua do povo.

Estes assemelhados batistas, assim como os sertanejos, na labuta que lhes era inegociável defenderam nesta odisséia no tempo e no espaço, o direito a vida espiritual na imensidão dos séculos. Nesta viagem continuada da história, João Huss, disseminando os ensinos de Wycliff e tantos outros, deu luz à Reforma. Na epopéia do sobreviver como cristão, na lida da Bíblia regra de fé e regra de prática, são estes nossos antecessores.

Diálogo entre mim e Alice

- Alice, minha filha, iremos mudar para uma casa bem menor. Okay?

- Papai, eu não me importo de ir para uma casa menor porque sei que um dia vou poder ter uma casa bem grande que ninguém nunca morou.

- Que bom! minha filha, você é muito inteligente, iremos orar, você vai estudar, ter um bom emprego, o Senhor vai lhe abençoar em tudo e poderás construir uma casa beeeem grande.

- Não, papai. Não é desse tipo de casa que estou falando. Estou falando de uma casa no céu, preparada por Jesus que ninguém nunca morou.

Alice tem 7 anos.

Microssegundos de Josué

Analogamente ao dia de Josué (Js 10.13), a NASA caculou que terremoto no Chile alterou a rotação da terra. Leia a reportagem do G1:

 

Efeito colateral - Eixo da Terra e duração do dia são afetados por grandes alterações de configuração de massa do planeta (Foto: Nasa)

Terremoto no Chile pode ter encurtado duração dos dias, diz Nasa

Cientista calculou que tremor mudou o eixo da Terra em 8 centímetros.
Abalo na região de Sumatra, em 2004, deslocou o eixo em 7 centímetros.

A rotação da Terra pode ter sido alterada como resultado do terremoto no Chile no sábado (27). O cientista Richard Gross e colegas do Laboratório de Propulsão a Jato da agência espacial americana (JPL/Nasa), rodaram um modelo computacional complexo e, em um cálculo preliminar, concluíram que o tremor de magnitude 8,8 teria encurtado a duração de um dia terrestre em 1,26 microssegundo (um microssegundo é igual a 1 segundo dividido por 1 milhão). 

Gross calculou que o megaterremoto mudou o eixo do planeta em aproximadamente 8 centímetros). Para comparação, o mesmo modelo computacional calculou que o tremor de 2004 em Sumatra (magnitude 9,1) encurtou o dia em 6,8 microssegundos e deslocou o eixo da Terra em 7 centímetros).

Gross teve a cautela de ponderar que seus números provavelmente vão mudar à medida que os dados sobre a tragédia chilena forem refinados.


 FONTE: G1, São Paulo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nossas Raízes Batistas




O umbuzeiro é aquela árvore abençoada verde em meio à caatinga no semi-árido. Ainda que a léguas d'água, permanece a frondosa como uma amostra da graça divina nesse mundo do sertão nordestino. E não é sem causa que a pouco tempo atrás os umbuzeiros formavam os pontos de parada para tropeiros e vaqueiros. Meu bisavô, o Sr. João Silvério de Nova Cruz (RN), deve ter parado muitas vezes sob um, eu mesmo já utilizei um umbuzeiro como abrigo, no caminho antigo de Jardim do Seridó (RN) para o açude Zangarelhas aquela benção de Deus no meio do caminho era o descanso garantido durante o retorno das peripécias da represa. A árvore permanece sempre verde, sempre frutífera e sempre sombrejante porque o Divino dotou-a de uma raiz que é bem dizer um poço artesiano sangrando água, uma espécie de batata que mais parece um pote. 

Como estivesse a sombra de umbuzeiro é que imagino a minha herança cristã como um batista. Por que tão abençoados que somos vivendo em um mundo pecaminosamente árido e desnutrido de amor, nós os batistas, evangelizadores natos, parecemos os tropeiros a levarem as cargas de benéfices do evangelho através dos tempos e das eras – vaqueiros jamais cansados de lidar com os sertões ermos dos corações – devemos isto às raízes de nossos princípios batistas profundamente entranhadas na história do Cristianismo. 

Assim como o tropeiro rude e forte prefere a vida nômade, os batistas adotaram sempre um espírito não conformista. Rejeitaram o domínio eclesiástico e elegeram as Sagradas Escrituras como única regra de fé e prática. Se um sertanejo assemelha-se a outro, nós os batistas parecemos com outros grupos que lutaram para manter a simplicidade neotestamentária. É difícil para o viajante determinar de que umbuzeiro provém um outro, como é difícil para um batista determinar, à sombra da história, a sua estirpe aos ramos mais primitivos da igreja cristã. Todavia, como o frescor disseminado pelo manancial do umbuzeiro, estamos convencidos deste espírito de liberdade de fé dos batistas que enraizou-se em uma longa sucessão de testemunhas fiéis ao ideal espiritual do Cristianismo até aos tempos dos anabatistas no século XVI, concomitante aos turbulentos dias da Reforma. 

Semelhante ao umbuzeiro nos melancólicos paroxismos estivais, nossa história retrata-se a duras penas, permanece sempre verde, cheia de esperança e firme de tal forma a abençoar, como uma fonte de águas puras, transmitindo os princípios declarados pelo Cristo, agora reservados aos necessitados, o quais se espalham pela flora sertaneja deste mundo, transformando-o a igreja em tempos felizes os cereus tristonhos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Observações introdutórias sobre a Importância da Ortodoxia II


Em termos gerais, hoje, é loucura um filósofo provocar outro no mercado de Smithfield, simplesmente porque não concorda com sua teoria sobre o universo. O que foi feito com freqüência no passado no fim da Idade Média, mas que fracassou completamente com seu objeto. Mas há algo que é infinitamente mais absurdo e impraticável: queimar um ser humano por sua filosofia. Esta é a forma de declarar que sua filosofia não importa, o que é feito amplamente no século XX, a decadência do grande período revolucionário. Teorias gerais são desprezadas em toda parte, a doutrina dos Direitos do Homem é desprezada tanto quanto a doutrina da Queda do Homem. O ateísmo, nos dias de hoje, é cada vez mais teológico. Qualquer revolução retém muitíssimo de um sistema, assim como para haver liberdade necessita-se haver bastante comedimento. O Sr. Bernard Shaw expôs um epigrama perfeito: "A regra de ouro é que não existe uma regra de outro". Necessitamos discutir cada vez mais detalhes acerca da arte, da política e da literatura. A opinião de um homem acerca de bondes elétricos ou concernente a obra de Botticelli não importa. Ele pode revirar e explorar um milhão de objetos e não achar nenhum objeto estranho naquele universo. Porque, se achar, terá uma religião e se perder. Nada importa – exceto tudo. (CHESTERTON, tradução de Heretics)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Contribua para o Haiti e declare aqui para controle

Faça Doações para o Haiti, registre e controle (RN/Brasil)

"É mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber.” (Atos 20:35 RA)


Cruz Vermelha - CNPJ 07.127.753/0001-01, Banco Itaú, Agência 6480 e Conta 04751-0 (extorno de DOCTED)

ONG VivaRio - CNPJ: 00343941000128, Banco do Brasil, Agência 1769-8, Conta 5113-6

UNICEF - Cartão de crédito - https://secure.unicefusa.org/site/Donation2?df_id=6680&6680.donation=form1

Google: UNICEF, CARE E OUTRAS - Cartão de crédito - http://www.google.com/intl/pt-BR/relief/haitiearthquake/

Embaixada do Haiti - Banco do Brasil Conta SOS HAITI- Agência 1606-3 - Conta Corrente 91000-7

PNUD HAITI - Caixa Econômica Federal Conta - Agência 0647 Op 003 - Conta Corrente 600-1

*** ATENÇÃO ***

- Somente declare sua doação para o Haiti se realmente efetivou-a.
- Tenha responsabilidade e espírito humanitário.
- Este link é apenas informativo não está vinculado a qualquer instituição.

VEJA QUEM JÁ DOOU --> http://bit.ly/9EABQ2

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Observações introdutórias sobre a Importância da Ortodoxia


Nada mais tão estranhamente denuncia o silêncio vil da sociedade moderna do que hodierno uso da palavra ortodoxo. Na antiguidade, ninguém se orgulhava em ser um herege. Eram os monarcas, a polícia e os magistrados que denunciavam os hereges, pois identificavam-se como ortodoxos. Não havia qualquer orgulho na rebeldia, eram as autoridades que apontavam os rebelados e declarava-os como hereges. Os exércitos com seus controles cruéis, os reis com suas caras-de-pau, os melindrosos processos do Estado, os protocolos racionais do direito, tornava os rebeldes em ovelhas perdidas. Era orgulho para um homem ser reconhecido como um ortodoxo, havia honra em estar certo. Se ele clamava errante pelo deserto, era mais que um homem, era uma igreja, o centro do Universo, estrelas giravam ao seu redor. Todas as torturas provenientes dos quintos dos infernos jamais faziam-no admitir-se como um herege. Infelizmente, muitos clichês modernos têm sido a vanglória de muitos homens. Dizem com sarcasmo: "Eu sou um herege." e logo miram a platéia esperando aplausos. Atualmente, a palavra "heresia" não significa apenas um passo além da verdade, significa também, na prática, ser uma pessoa de mente aberta e corajosa. Ser "ortodoxo" não significa mais estar certo, na prática tem o sentido de estar errado. Tudo isto redunda em uma coisa, uma coisa somente: que as pessoas têm cada vez menos cuidado se elas estão corretas filosoficamente. Obviamente, antes de confessar-se como herege um homem deve assumir que antes é um louco. Um tcheco engravatado de vermelho deve irritar-se com sua ortodoxia. Um homem bomba, ao preparar-se, a última coisa que ele pensa é se é um ortodoxo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Brasileiros da A SCIENTIFIC DISSENT FROM DARWINISM


A famosa lista de cientistas dissidentes da teoria darwinista que diz:


 

"Nós somos céticos das afirmações da capacidade da mutação aleatória e da seleção natural explicarem a complexidade da vida. Um exame cuidadoso da evidência a favor da teoria darwinista deve ser encorajado."

 

Conta com a assinatura de 5 brasileiros:


 

Marcos N. Eberlin, Professor, The State University of Campinas, Member of Brazilian Academy of Science (UNICAMP) – Currículo Lattes (CNPQ)

Marcos Nogueira Eberlin

Graduação (1982), mestrado (1984) e doutorado (1988) em Química pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP e pós-doutorado no Laboratório Aston de Espectrometria de Massas da Universidade de Purdue, USA (1989-1991). Atualmente é professor titular MS-6 da Universidade Estadual de Campinas, na qual coordena o Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas (http://thomson.iqm.unicamp.br). É membro da Acadêmia Brasileira de Ciências (2002) e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico (2005). É presidente (2009) da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas (IMSF) e vice-presidente da Sociedade Brasileira (BrMASS). Orientou vários mestres, doutores e pós-doutores e seu grupo de pesquisa conta hoje com cerca de 35 pesquisadores. Já publicou cerca de 350 artigos científicos (2009) com mais de 4000 citações em áreas diversas da Química e Bioquímica, e Ciências dos Alimentos, Farmaceutica e dos Materiais.

 

Magda Narciso Leite, Professor, College of Pharmacy & Biochemistry Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – Currículo Lattes (CNPQ)

Magda Narciso Leite

Graduação em Farmácia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1988) , mestrado em Química pela Universidade Federal de Minas Gerais (1993) e doutorado em Química pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995) . Atualmente é Professor adjunto III da Faculdade de Farmácia e Bioquímica. Tem experiência na área de Química, com ênfase em Química Orgânica. Atuando principalmente nos seguintes temas: acoplamento cruzado, carbamatos.

 

Karl Heinz Kienitz, Professor, Department of Systems & Control, Instituto Technologico de Aeronautica (ITA) – Currículo Lattes (CNPQ)

Karl Heinz Kienitz
Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2

Karl Heinz Kienitz concluiu o doutorado em Engenharia Elétrica na Eidgenössische Technische Hochschule Zürich (ETHZ), Suíça, em 1990. Atualmente é Professor Associado e Coordenador do Curso de Graduação em Engenharia Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Foi bolsista da Fundação Humboldt e pesquisador visitante do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) em 1996/7 e 2004/5. Publicou mais de 20 artigos em periódicos especializados e mais de 90 trabalhos em eventos. Possui 1 livro publicado na área de Circuitos Elétricos. Orientou/co-orientou mais de 20 dissertações de mestrado e 4 teses de doutorado, além de ter orientado trabalhos de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso nas áreas de Engenharia Elétrica e Engenharia Aeroespacial. Atua nas áreas de Engenharia Elétrica e Engenharia Aeroespacial, com ênfase em Sistemas e Controle. Em suas atividades profissionais interagiu com mais de 70 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. Em seu currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da produção científica e tecnológica são: controle robusto, controle nebuloso, controle aeronáutico, projeto de controle, sistemas de controle, inteligência artificial, controle aeroespacial e CACSD.

 

Alexandre S. Soares, Ph.D. Mathematics, Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ) – Currículo Lattes (CNPQ)

Alexandre de Souza Soares

Graduação em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999), mestrado em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001) e doutorado em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005). Atualmente é Professor do Magistério Superior do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Tem experiência na área de Matemática , com ênfase em Geometria e Topologia. Atuando principalmente nos seguintes temas: Geometria Diferencial, Superfícies de Curvatura Média Constante.

 
Luis Paulo Franco de Barros, D.Sc. Mechanical Engineering, Pontificia Universidade Católica (PUC) – Currículo Lattes (CNPQ)

Luís Paulo Franco de Barros

Graduação em Engenharia Mecânica pela PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATOLICA DO RIO DE JANEIRO (1995) , mestrado em Engenharia Mecânica pela PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATOLICA DO RIO DE JANEIRO (1998) e doutorado em Engenharia Mecânica pela PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATOLICA DO RIO DE JANEIRO (2002) . Atuando principalmente nos seguintes temas: piezoeletricidade, compósitos, ondas guiadas, monitoração.

 

Para assinar a declaração, o signatário deve ter o grau de Ph. D. numa área científica como a biologia, química, matemática, engenharia, ciência da computação, ou uma das outras ciências naturais; ou devem ser médicos e atuarem como professor de medicina.


 

Parabenizo-os pela coragem!


 

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Hermenêutica: Princípios de Interpretação da Bíblia

Em Listra, região da Licaônia, após a cura de um homem inválido, Paulo e Barnabé foram aclamados como deuses.

Júpiter e Mercúrio são os nomes latinos para os deuses gregos Zeus e Hermes. Para os gregos seu país ocupava o centro da Terra e, no centro de seu país, estava o Monte Olimpo, na Tessália, abrigava, além de Zeus (Júpiter), Cronos (Saturno), Eros (Cupido) e os Titãs.

A Hermes (Mercúrio) eram atribuídas toda e qualquer atividade que exigisse destreza e habilidade. Por ser Filho e Zeus (Júpiter) com a ninfa Maia, tinha como atividade principal ser o portador e intérprete da mensagem dos deuses. (At 14.8-12)

Assim, de Hermes (Ἑρμᾶς) temos a palavra Hermenêutica (ἑρμηνευτική) a técnica da interpretação. Para os gregos, dizia-se isso quanto à interpretação criativa como um dom e percepção da razão. Como o deus, poetas e videntes proferiam mensagens dos deuses, os quais como expositores praticavam a hermenéia.

Para nós, os cristãos, hermenêutica significa a "a arte e a ciência de interpretar a Bíblia." Portanto, é também conhecida por hermenêutica sagrada ou hermenêutica bíblica.

A primeira coisa a saber acerca da interpretação bíblica é "Todos podem interpretar a Bíblia!". Para isto, os processos cognitivos básicos são a observação, a interpretação, a correlação e aplicação. Cada um desses faz, respectivamente, as seguintes perguntas: O que vejo no texto? O que significa? Como este texto relaciona-se com o restante da Bíblia? O que significa para mim?

Junto a estes processos, podemos categorizar os princípios de interpretação em quatro grandes áreas: os princípios gerais, os princípios gramaticais, os princípios históricos e os princípios teológicos.

Nos princípios gerais, o intérprete deve partir da pressuposição de que a Bíblia tem autoridade, que ela é, acima de tudo, sua própria intérprete, porque a Escritura explica melhor a Escritura. Além disso, a fé salvadora e o Espírito Santo são necessários para que se compreenda a fundo a Palavra de Deus. Mesmo dentro deste aspecto subjetivo, a experiência pessoal deve ser interpretada sempre à luz das Sagradas Escrituras, e não a Escritura à luz da experiência pessoal. Acerca dos exemplos bíblicos, todo cuidado é necessário, porque os exemplos bíblicos só têm autoridade quando são expressos por uma ordem. Que nunca seja esquecido, o propósito primário da Palavra é modificar nossas vidas. Por isso, cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretá-la pessoalmente. Deve saber também a importância da história da igreja, mas atentando para o fato dela não ser decisiva para esta interpretação. Sempre lembrando que promessas de Deus em toda Bíblia estão disponíveis ao Espírito Santo a favor dos crentes de todas as gerações. Como vimos, nesta fase, nosso auxílio imprescindível é o Espírito Santo. (1 Co 2.12-13)

Quanto aos princípios gramaticais, vale salientar que a Escritura pode ter somente um sentido, isto é, deve ser tomada literalmente. Isto implica em buscar interpretar as palavras o sentido que tinham no tempo do autor, e esta interpretada em relação à sentença e ao seu contexto. Além das palavras, toda passagem deve ser também interpretada em harmonia com o contexto. Atente para entender que quando um objeto inanimado é usado para descrever um ser vivo, a proposição pode ser considerada como figurada. Nas parábolas, as principais partes e figuras representam certas realidades, portanto considere somente estas principais partes e figuras quando estiver tirando conclusões. Nas profecias, as palavras dos profetas devem ser interpretadas em sentido comum, literal e histórico, a não ser que o contexto ou a maneira como se cumpriram indiquem claramente que têm sentido simbólico, o cumprimento dela pode ser por etapas, cada cumprimento sendo uma garantia daquilo que há de seguir-se. Nestes princípios, nossas ferramentas são as línguas bíblicas, as versões da bíblia, léxicos e dicionários. (2 Tm 3.16)

Os princípios históricos preconizam que se a Escritura originou-se em um contexto histórico, só deve ser compreendida à luz da história bíblica. Embora a revelação de Deus na Palavra seja progressiva, tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento são partes essenciais desta revelação e formam uma unidade. Desde então, os fatos ou acontecimentos históricos tornam-se símbolos de verdades espirituais somente se a Bíblia assim designar. Como auxílio destes princípios temos a história da Bíblia, a história secular, a geografia e a arqueologia bíblica. (Rm 15.4)

Finalmente os princípios teológicos de interpretação. Quanto a estes, precisa-se de uma observação, a Bíblia antes de ser compreendida teologicamente deve ser compreendida gramaticalmente. Acrescido a isto, entende-se que uma doutrina não pode ser considerada bíblica se não resumir e incluir tudo o que livro sagrado diz acerca dela. Portanto, quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contraditórias, aceite ambas como escriturísticas, crendo confiantemente que elas se explicarão dentro de uma unidade mais elevada de compreensão. Enfim, um ensinamento simplesmente implícito na Escritura Sagrada só deve ser considerado bíblico quando uma comparação de passagens o apóia. Recorremos, portanto, às concordâncias bíblicas, aos comentários e tomos teológicos. (2 Pe 3.15-18)


 

Referências


 

HENRICHSEN, Walter A. Princípios de Interpretação da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.

VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Editora Vida, 1987.

ZUCK, Roy B. A interpretação bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1994.


 

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Google nosso de cada dia



Beleza! O Google já atesta 2.570.000 resultados sobre os batistas regulares. Digitando "batistas" eles aparecem como o 3º do ranking de busca. Isto indica um alto índice de popularidade. Estão à frente até mesmo de "batistas tradicionais" e "batistas do Brasil". De agora em diante, quem disser que desconhece o movimento das igrejas batistas regulares ou os classifica como grandes desconhecidos será por pura ignorância. E tenho dito!

domingo, 13 de setembro de 2009

sábado, 12 de setembro de 2009

Lutero em Berkhof


Os parágrafos abaixo são excertos da Teologia Sistemática de Berkhof acerca da teologia de Calvino, servem à pesquisa, não representam integralmente a posição desta coluna nem do site.



Lutero fala repetidamente de Deus como o Deus Absconditus (Deus oculto), em distinção dele como o Deus Revelatus (Deus revelado). Em algumas passagens ele até fala do Deus Revelado como ainda um Deus Oculto, em vista do fato de que, mesmo através da Sua revelação especial, não podemos conhecê-lo plenamente.


Lutero emprega algumas expressões muito fortes a respeito da nossa incapacidade de conhecer alguma coisa do Ser de Deus ou da Sua essência. Por outro lado, ele distingue o Deus absconditus (Deus oculto) e o Deus revelatus (Deus revelado); mas, por outro lado, ele também afirma que, conhecendo o Deus revelatus, somente O conhecemos em Seu ocultamento.


Lutero aceitava a doutrina da predestinação, se bem que a convicção de que Deus queria que todos os homens fossem salvos o levou a enfraquecer um tanto a doutrina da predestinação nos últimos tempos da sua existência.


Lutero expressou-se em favor do traducionismo, e este tornou a opinião dominante na Igreja Luterana.


Aquele, [referindo-se a Lutero], não buscava a imagem de Deus em nenhum dos dons naturais do homem, tais como as suas faculdades racionais e morais, mas, sim, exclusivamente na justiça original e, portanto, considerava a imagem como inteiramente perdida devido ao pecado.


Pessoalmente, Lutero às vezes falava como se tivesse uma ampla concepção da imagem, mas, na realidade, seu conceito a respeito era restrito.


Lutero não se livrou inteiramente do fermento católico romano. Apesar de ter retornado à antítese agostiniana de pecado e graça, traçou aguda distinção entre a esfera terrenal inferior e a esfera espiritual superior, e sustentava que o homem decaído é por natureza capaz de fazer muita coisa boa e louvável na esfera inferior ou terrena, embora seja inteiramente incapaz de fazer qualquer bem espiritual.


Lutero não escapou inteiramente da confusão da regeneração com a justificação. Além disso, ele falava da regeneração ou do novo nascimento num sentido muito amplo.


Lutero e seus seguidores não conseguiram purificar a igreja do fermento de Roma sobre este ponto [da regeneração batismal]. De modo geral, os luteranos defendem, em oposição a Roma, o caráter monergista da regeneração.


Ele,[Lutero], considerava a igreja como a comunhão espiritual daqueles que crêem em Cristo, e restabeleceu a idéia escriturística do sacerdócio de todos os crentes.


Para Lutero, a água do batismo não é água comum, mas uma água que, mediante a Palavra com seu poder divino inerente, veio a ser uma água da vida, cheia de graça, um lavamento de regeneração.


Lutero insistia na interpretação literal das palavras da instituição e na presença corporal de Cristo na Ceia do Senhor. Contudo, substituiu a doutrina da transubstanciação pela da consubstanciação, defendida exaustivamente por Occam em sua obra sobre o Sacramento do Altar (De Sacramento Altaris), e segundo a qual Cristo está "em, com e sob" os elementos.


Lutero e os luteranos também dão ênfase à palavra "é", embora admitam que Jesus estava falando figuradamente. Segundo eles, a figura não era uma metáfora, mas uma sinédoque.


Lutero rejeitou a doutrina da transubstanciação e a substitui pela doutrina correlata da consubstanciação. Segundo ele, o pão e o vinho continuam sendo o que são,mas, não obstante, há na Ceia do Senhor uma misteriosa e miraculosa presença real da pessoa completa de Cristo, corpo e sangue, nos elementos, sob eles e junto deles.




Lutero, sobre: conhecimento de Deus, 31, 45; predestinação, 111; origem da alma, 196; imagem de Deus no homem, 202, 207; pecado e graça, 434; vocação divina, 460, 461; regeneração, 468, 479; igreja, 564; batismo, 632; batismo de crianças como meio de graça, 647; Ceia do Senhor, 652, 655, 658..


Calvino em Berkhof

Os parágrafos abaixo são excertos da Teologia Sistemática de Berkhof acerca da teologia de Calvino, servem à pesquisa, não representam integralmente a posição desta coluna nem do site.




Para Calvino, Deus, nas profundezas do Seu Ser, é insondável. "Sua essência", diz ele, "é incompreensível; desse modo, Sua divindade escapa totalmente aos sentidos humanos".

Calvino também fala da essência divina como incompreensível. Ele sustenta que Deus, nas profundezas do Seu Ser, está fora de alcance. Falando do conhecimento do Quid e do Qualis de Dues, diz ele que é inútil especular sobre o primeiro, ao passo que o nosso interesse prático jaz no segundo. Diz ele: "Simplesmente, brincam com frígidas especulações aqueles cuja mente se fixa na questão do que Deus é (Quid sit Deus), quando o que realmente nos interessa saber é, antes, que espécie de pessoa Ele é (Qualis sit) e o que é apropriado à Sua natureza". Conquanto ele ache que Deus não pode ser conhecido à perfeição, não nega que possamos conhecer algo do Seu Ser ou da Sua natureza. Mas este conhecimento não pode ser conhecido por métodos a priori, mas somente de maneira a posteriori, mediante os atributos, que ele considera como reais determinativos da natureza de Deus. Eles nos transmitem ao menos algum conhecimento do que Deus é, mas, especialmente, do que Ele é em relação a nós.

Daí diz Calvino: "Então, com pessoa, quero dizer uma subsistência na essência divina – uma subsistência que, conquanto relacionada com as outras duas, distingue-se delas por suas propriedades incomunicáveis"

Calvino sustentou firmemente a doutrina agostiniana da predestinação dupla e absoluta. Ao mesmo tempo, em sua defesa da doutrina contra Pighius, deu ênfase ao fato de que o decreto concernente à entrada do pecado do mundo foi um decreto permissivo, e que o decreto de reprovação deve ter sido elaborado de maneira que Deus não fosse o autor do pecado, nem responsável por este, de modo nenhum.

Os nossos padrões confessionais não falam somente de eleição, mas também de reprovação.* Agostinho ensinou a doutrina da reprovação, bem como a da eleição, mas essa "dura doutrina" enfrentou muitíssima oposição. Em geral os católicos romanos, e a grande maioria dos luteranos, arminianos e metodistas, rejeitam esta doutrina em sua forma absoluta. Se ainda falam de reprovação, é somente de uma reprovação baseada na presciência. É mais que evidente que Calvino tinha consciência da seriedade desta doutrina, pois fala dela como um "decretum horribile" (decreto terrível). Não obstante, não se sentiu com liberdade para negar o que ele considerava uma importante verdade da Escritura.

A posição que Calvino toma sobre este ponto [da reprovação] é claramente indicada nos seguintes pronunciamentos, que se acham nos Calvin's Articles on Predestination (Artigos de Calvino sobre a Predestinação):

"Embora a vontade de Deus seja a suprema e a primeira causa de todas as coisas, e Deus mantenha o diabo e todos os ímpios sujeitos à Sua vontade, não obstante, Deus não pode ser denominado causa do pecado, nem autor do mal, e nem esta exposto a nenhuma culpa".

"Embora o diabo e os reprovados sejam servos e instrumentos de Deus para a execução das Suas decisões secretas, não obstante, de maneira incompreensível, Deus de tal modo age neles e por meio deles que não contrai nenhuma mancha da perversão deles, porque utiliza a malicia deles de maneira justa e reta, para um bom fim, apesar de muitas vezes estar oculta aos nossos olhos essa maneira".

"Agem com ignorância e calunia os que dizem que, se todas as coisas sucedem pela vontade e ordenação de Deus, Ele é o autor do pecado; porque não fazem distinção entre a depravação dos homens e os desígnios ocultos de Deus"

A doutrina da predestinação não tem sido apresentada sempre da mesma forma. Principalmente desde os dias da Reforma, emergiam gradativamente duas diferentes concepções que, durante a controvérsia arminiana, foram designadas como Infra e Supralapsarianismo. Diferenças já existentes foram definidas mais agudamente e foram acentuadas mais enfaticamente como resultado das discussões teológicas daquele tempo. De acordo com o dr. Dijik, os dois conceitos em foco eram, na sua forma original, apenas uma diferença de opinião sobre se a queda do homem também foi incluída no decreto divino. O primeiro pecado do homem, que constitui sua queda, foi predestinado, ou foi meramente objeto da presciência divina? Em sua forma original, o supralapsarianismo sustentava a primeira posição acima, e o infralapsarianismo, a segunda. Neste sentido da palavra, Calvino evidentemente era supralapsário. O desenvolvimento posterior da diferença entre ambos os conceitos começou com Beza, o sucessor de Calvino em Genebra. Nesse desenvolvimento, o ponto original em discussão retira-se aos poucos para os fundos, e outras diferenças são levadas para o primeiro plano, sendo que algumas delas não passam de diferenças de ênfase.

Base Bíblica da doutrina da criação do nada. Gn 1.1 registra o início da obra da criação, e certamente não apresenta Deus produzindo o mundo com material preexistente. Foi criação do nada, criação no sentido estrito da palavra e, daí, a única parte da obra registrada em Gn 1 a que Calvino aplica o termo.

Como os anjos bons, os anjos maus também possuem poder sobre-humano, mas o uso que dele fazem contrata-se tristemente com os dos anjos bons. Enquanto estes louvam a Deus perenemente, libram Suas batalhas e O servem com fidelidade, aqueles, como poderes das trevas, prestam-se para maldizer a Deus, pelejar contra Ele e Seu Ungido, e destruir a Sua obra. Então em constante rebelião contra Deus, procuram cegar e desviar até os eleitos, e animam os pecadores no mal que estes praticam. Mas são espíritos perdidos e sem esperança. Agora mesmo estão acorrentados ao inferno e a abismo de trevas e, embora não estejam ainda limitados a um lugar só, no dizer de Calvino, contudo, arrastam consigo as suas cadeias por onde vão, 2 Pe 2.4; Jd 6.

Calvino, por outro lado, apoiou decididamente o criacionismo. Diz ele, em seu comentário de Gn 3.16: "Tampouco é necessário lançar mão da antiga ficção de certos escritores, de que as almas são derivadas por descendência dos nossos primeiros pais". Desde a época da reforma, tem sido sempre esta opinião comum nos círculos reformados (calvinistas). Não significa que não há exceções à regra. Jonathan Edwards e Hopkins, na teologia da Nova Inglaterra, favoreciam o traducionismo. [Modernamente, os batistas regulares são exemplos de traducianistas]

A doutrina da imagem de Deus no homem é da maior importância na teologia, pois essa imagem é a expressão daquilo que é mais distinto no homem e em sua relação com Deus. O fato de ser o homem imagem de Deus distingue-o dos animais e de todas as outras criaturas. Quando podemos saber da Escritura, até mesmo os anjos não compartem com os homens essa honra, embora às vezes o assunto seja apresentado como se compartissem. Calvino chega a dizer que "não se pode negar que os anjos também foram criados à semelhança de Deus visto que, como Cristo declara (Mt 22.30), a nossa perfeição suprema consiste em sermos semelhantes a eles". Mas nessa declaração o grande reformador não leva devidamente em conta o ponto especifico da comparação presente na afirmação de Jesus. Em muitos casos, a suposição de que os anjos também foram criados à imagem de Deus resulta de uma concepção da imagem que a limita às nossas qualidades morais e intelectuais. Mas a imagem inclui também o corpo do homem e seu domínio sobre a criação inferior. Os anjos jamais são apresentados como da criação, mas como espíritos ministradores enviados para servir aos herdeiros da salvação. As mais importantes concepções da imagem de Deus no homem são as que damos a seguir.

Diz Calvino que a verdadeira sede da imagem de Deus está na alma, embora alguns raios da sua glória brilhem também no corpo. Acha ele que a imagem consistia especialmente naquela integridade original da natureza do homem, perdida por causa do pecado, integridade que se revela no verdadeiro conhecimento, justiça e santidade. Ao mesmo tempo ele acrescenta "que a imagem de Deus abrange tudo que na natureza do homem sobrepuja a de todas as outras espécies de animais"

[Quanto ao hades], Calvino interpreta a frase metaforicamente, entendendo que se refere aos sofrimentos penais de Cristo na cruz, onde Ele sofreu realmente as angústias do inferno.

Diz Calvino, a saber, que a declaração de que Cristo assentou-se à destra de Deus equivale a dizer "que Ele foi instalado no governo de céus e terra, e foi formalmente admitido na posse da administração a Ele confiada, e não somente admitido por uma vez, mas para continuar até quando Ele descer para o juízo".

Diz Calvino: "Interessava-nos profundamente que Aquele que havia de ser o nosso Mediador, fosse verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Se se indagasse sobre a necessidade, esta não era aquilo que comumente se chama necessidade simples ou absoluta, mas, sim, a que promanou do decreto divino, do qual dependia a salvação do homem. O que era melhor para nós, nosso misericordioso Pai determinou"

Calvino não concordava com a posição de Lutero, nem com a de Zwínglio. Ele sustentava firmemente que o homem natural não pode, por si mesmo, fazer nenhuma obra boa, e insistia vigorosamente na natureza particular da graça salvadora. Ao lado da doutrina da graça particular, ele desenvolveu a doutrina da graça comum. Esta graça é comunal, não perdoa nem purifica a natureza humana, e não efetua a salvação dos pecadores. Ela reprime o poder destrutivo do pecado, mantém em certa medida a ordem moral do universo, possibilitando assim uma vida ordenada, distribui em vários graus dons e talentos entre os homens, promove o desenvolvimento da ciência e da arte, e derrama incontáveis bênçãos sobre os filhos dos homens.
Calvino sugere alguns deles, quando, ao falar da influência restringente da graça comum, diz: "Daí, por mais que os homens disfarcem a sua impureza, alguns só são impedidos de irromper em muitos tipos de iniqüidade pela vergonha, outros pelo temor das leis. Alguns aspiram a uma vida honesta, julgando que favorece mais aos seus interesses, enquanto outros são elevados acima da sorte vulgar para que, pela dignidade da sua posição social, se mantenham inferiores aos seus direitos e deveres. Assim Deus, por Sua providência, refreia a perversidade da natureza, impedindo-a de entrar em ação, mas sem torna-la interiormente pura"

Segundo Calvino, o chamamento do Evangelho não é eficiente em si mesmo, mas lhe é dada eficácia pela operação do Espírito Santo, quando Este aplica salvadoramente a Palavra ao coração do homem; e esta aplicação é feita somente aos corações e vidas dos eleitos. Deste modo, a salvação do homem é obra de Deus, do começo ao fim. Por Sua graça salvadora, Deus não somente capacita o homem, mas também o leva a dar ouvidos ao chamamento do Evangelho para a salvação. Os arminianos não ficaram satisfeitos com esta posição, mas virtualmente retornaram ao semipelagianismo da Igreja Católica Romana. Segundo eles, a proclamação universal do Evangelho é acompanhada pela graça universal suficiente – "uma assistência graciosa real e universalmente outorgada, suficiente para habilitar todos os homens para, se o quiserem, alcançar a plena posse das bênçãos espirituais e, finalmente, a salvação". Mais uma vez se faz que a obra de salvação dependa do homem. Isto marcou o início de um retorno racionalista à posição pelagiana, que nega inteiramente a necessidade de uma operação interna do Espírito Santo para a salvação.

Calvino também usava o termo [reneração] num sentido muito compre, como um designativo de todo o processo pelo qual o homem é renovado, incluindo, além do ato divino que origina a nova vida, também a conversão (arrependimento e fé) e a santificação.

Diz Calvino: "Teremos então uma completa definição da fé se dissermos que ela é um firme e seguro conhecimento do favor de Deus para conosco, fundado na verdade de uma promessa gratuita em Cristo, e revelada às nossas mentes e selada em nossos corações pelo Espírito Santo".

Falando da ousadia com que podemos aproximar-nos de Deus pela oração, diz ele: "Essa ousadia brota da confiança no favor e na salvação divinos. Tanto é verdade, que o termo fé é usado muitas vezes como equivalente de confiança"

Calvino e alguns dos teólogos reformados mais antigos falam ocasionalmente como se este elemento constituísse a justificação completa.

Calvino e os teólogos reformados estavam de acordo com Lutero quanto à confissão de que a igreja é essencialmente uma communio sanctorum, uma comunhão de santos.

Calvino define a igreja como a "multidão de pessoas espalhadas pelo mundo, que professam adoração a um só Deus em Cristo; são iniciadas nesta fé pelo batismo; dão testemunho da sua unidade e amor por sua participação na Ceia; estão de acordo na Palavra de Deus, e pela pregação dessa Palavra mantêm o ministério ordenado de Cristo".

Calvino e a teologia reformada partiam da pressuposição de que o batismo foi instituído para os crentes, e não produz, mas fortalece a nova vida.

Com a posição de Calvino, segundo a qual, os filhos pequenos de pais crentes, ou aqueles que têm somente um dos pais crentes, são batizados com base em sua relação pactual.

Com relação ao batismo de crianças, Calvino vê ocasião aqui, agora que ele tomou a perspectiva da aliança, para traçar linha mais longa.

Calvino defendia uma posição intermediária. Como Zwínglio, ele negava a presença corporal do Senhor no sacramento, mas em distinção de Zwínglio, insistia na presença real, ainda que espiritual, do Senhor na Ceia, na presença dele como uma fonte de virtude ou poder e eficácia.

Calvino e as igrejas reformadas (calvinistas) entendem metaforicamente as palavras de Jesus: "Isto é (isso é, significa, simboliza) o meu corpo"

Dabney rejeita positivamente a apresentação feita por Calvino, segundo a qual o comungante participa do próprio corpo e sangue de Cristo no sacramento. Sem dúvida, este é um ponto obscuro na exposição de Calvino.

Entre os socinianos e ao anabatistas houve alguns que reviveram a antiga doutrina, sustentada por alguns da Igreja Primitiva, de que a alma do homem dorme desde a hora da morte até à ressurreição. Calvino escreveu um tratado para combater essa idéia. A mesma noção é defendida por algumas seitas adventistas e pelos da aurora do milênio.

Calvino chegou a escrever um tratado contra eles, intitulado Psychopanychia. No século dezenove esta doutrina era propugnada por alguns dos irvingitas* da Inglaterra, e nos nossos dias é uma das doutrinas favoritas dos russelitas ou dos sectários da aurora do milênio nos Estados Unidos.

Calvino, sobre: conhecimento de Deus, 31, 45; pessoas da Trindade, 89; predestinação, 11; reprovação, 117; anjos, 142; origem da alma, 197; imagem de Deus no homem, 202, 203; imagem de Deus nos anjos, 206; descida ao hades, 341, 343; o assentar-se Cristo à destra do pai, 353; necessidade da expiação, 370; graça comum, 431, 435; meios da graça comum, 441, 442; frutos da graça comum, 443; vocação divina, 461; uso do termo “regeneração”, 468; fé, 499-500; justificação, 518; igreja, 564, 568; batismo, 632; base para o batismo de crianças, 644, 646;Ceia do Senhor, 652, 655, 660; sono da alma, 695.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009





O dom de ensino é a capacidade especial que Deus dá a certos membros do Corpo de Cristo para comunicarem informações importantes para a saúde desse corpo e para o ministério dos membros desse corpo.

Isso é feito de tal maneira que os membros do Corpo de Cristo aprendem aquilo que é necessário para crescerem em seus ministérios e na vida cristã de uma maneira geral.

É importante que cada pastor compreenda para que serve o dom de ensino: para o óbvio, que não é ensinar, mas para que pessoas aprendam. Esse dom aparece nas três listas primárias dos dons espirituais: Rm 12, 1 Co 12 e Ef 4.

Em Atos 18:24-26, lemos o seguinte:

“Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloqüente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor; e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. Ele, pois, começou a falar ousadamente na sinagoga. Ouvindo-o, porém, Priscila e Áqüila, tomaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus.” (Atos 18:24-26 RA)

O dom de ensino, normalmente, é um dom que envolve mais tempo do que os outros dons. Ao contrário dos outros dons que, geralmente, só são utilizados de vez em quando, o ensino envolve um uso regular e capacitação constante. Quem possui esse dom precisa dedicar muito tempo ao estudo e à preparação de aulas.

Outro aspecto importante: os mestres que receberam o dom de ensino também precisam se mostrar pacientes com seus alunos, precisam ainda criar um ambiente onde os estudantes se sintam livres para levantar indagações, perguntar e, até, questionar.

Isso, conseqüentemente, exige que o mestre tenha se preparado bem naquele assunto que está sendo tratado.

Nas qualificações dos oficiais da igreja há uma que o distingue de todas as outras:
“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar;” (1 Tm 3.2).


Ser “apto para ensinar” significa no original ser “didático”, literalmente, posto que a palavra é διδάκτικος. Ser apto significa ter habilidade para ensinar. Há somente duas ocasiões em que esta palavra ocorre no Novo Testamento, em 1 Timóteo 3:2 e em 2 Timóteo 2:24
“Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente,”.


Observem que além desses versículos estarem inseridos em um contexto das epístolas pastorais a Timóteo, as qualidades são asseveradas pelo “É necessário”. Isto é, uma condição sine qua non do pastor, quer dizer, imprescindível. Portanto, assim como o bispo deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, administrar bem sua casa, et cétera e et cétera, como requerido nas qualificações, não deve ser pastor quem não sabe ensinar, quem não é didático, está desqualificado.

Resumindo, como dom o pastor deve ser mestre, ou como propõe os originais, pastor-mestre, e, como qualificação, precisa ser didático.

terça-feira, 31 de março de 2009

O que eles disseram - Ayn Rand






Ayn Rand (1905-1982)


"O mundo nunca esteve antes tão desesperadamente á procura de respostas para perguntas cruciais, e também nunca esteve antes tão freneticamente comprometido à idéia de que encontrar respostas é impossível. Parafraseando a Bíblia, a atitude moderna é: 'Pai, perdoe-nos, pois não sabemos o que fazemos - e, por favor, não nos diga!'"
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